O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou que um drone russo atingiu um cargueiro chinês no Mar Negro na madrugada desta segunda-feira, 18 de maio de 2026. O incidente ocorre às vésperas da reunião entre o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Pequim.
Detalhes do ataque
Segundo Zelensky, drones atacaram a cidade portuária de Odessa, onde está localizado o maior complexo marítimo da Ucrânia. Um dos drones atingiu uma embarcação de bandeira chinesa. O presidente ucraniano sugeriu que o ataque foi intencional, afirmando que "os russos não poderiam desconhecer qual embarcação estava no mar".
A força naval ucraniana identificou o navio como KSL Deyang. O porta-voz da Marinha da Ucrânia, Dmitro Pletenchuk, informou à agência AFP que a embarcação foi atacada por um drone Shahed, de fabricação iraniana. Felizmente, nenhum tripulante ficou ferido, e o navio seguiu para o porto de destino.
Ofensiva aérea russa
O ataque ao navio chinês fez parte de uma ofensiva aérea noturna mais ampla, que também mirou a região de Dnipro. Ao todo, segundo Zelensky, a Rússia lançou 524 drones de ataque e 22 mísseis de vários tipos. Alertas de ataque aéreo permanecem em vigor em muitas comunidades fronteiriças e na linha de frente.
Zelenksy destacou que "a Rússia utiliza mísseis balísticos para atingir pessoas" e pediu que a Europa faça todo o possível para garantir uma proteção confiável contra esses ataques.
Contexto diplomático
A reunião entre Xi Jinping e Vladimir Putin está marcada para terça-feira, 19, e quarta-feira, 20 de maio. A expectativa é que o encontro seja mais amistoso que a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim na semana passada. No domingo, os líderes chinês e russo trocaram "cartas de felicitações" pelo 30º aniversário da parceria estratégica bilateral.
Em sua mensagem, Xi afirmou que a cooperação entre Rússia e China "se aprofundou e se consolidou continuamente". Os dois líderes já se encontraram em mais de 40 ocasiões, estreitando relações que preocupam Estados Unidos e Europa, especialmente desde o início da guerra na Ucrânia em 2022. Analistas apontam que o apoio econômico e diplomático chinês a Moscou tem contribuído para a perpetuação do conflito.
Um artigo publicado no jornal Global Times, do Partido Comunista Chinês, destacou que as visitas consecutivas dos presidentes americano e russo mostram que Pequim está "emergindo rapidamente como o ponto focal da diplomacia global". O jornal classificou como extremamente raro, na era pós-Guerra Fria, um país receber os líderes dos Estados Unidos e da Rússia consecutivamente dentro de uma semana.



