Colômbia enfrenta nova ameaça com ataques de drones em enxame
Colômbia: ataques de drones em enxame

Um homem conduz sua motocicleta pelas ruínas de casas destruídas cinco meses antes em um ataque de dissidentes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), em Buenos Aires, Cauca, Colômbia, na quarta-feira, 20 de maio de 2026. A imagem, capturada pela AP/Santiago Saldarriaga, ilustra a devastação causada pela nova tática de grupos armados ilegais.

Ascensão dos ataques com drones

Grupos armados ilegais na Colômbia passaram a usar ataques simultâneos com drones, em estilo 'enxame', para ampliar os danos e pressionar forças de segurança. A estratégia representa uma mudança em relação às táticas anteriores, quando os ataques eram feitos com um único drone por vez, segundo Guillermo Londoño, autoridade de segurança da região de Valle del Cauca, uma das áreas mais afetadas pela violência.

Drones adaptados para lançar explosivos alteraram a dinâmica do conflito armado colombiano desde 2024, tornando-se uma das maiores ameaças tanto para civis quanto para forças de segurança, especialmente na fronteira com a Venezuela, na província de Bolívar e em áreas costeiras do sudoeste. O Ministério da Defesa da Colômbia informou que ataques com drones atingiram 333 alvos em 2025, ante 61 incidentes registrados em 2024. Já o Exército contabilizou 107 ataques do tipo neste ano, que mataram dois soldados.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto nas comunidades

Em Robles, cidade vizinha no município de Jamundí, as ruas que levam à delegacia estão bloqueadas por barricadas improvisadas. Policiais permanecem em postos de vigilância, usando abrigos feitos de sacos de areia e tecidos pretos para monitorar o céu em busca de drones. 'Você passa pela delegacia com uma sensação de medo, olhando para cima e torcendo para não encontrar uma surpresa desagradável', disse Eucaris Zamora, que precisou deixar sua casa depois que uma bomba cilíndrica atingiu o imóvel em outubro, destruindo parcialmente a construção.

O problema com o plano de 'paz total' de Petro

A Colômbia vai eleger um novo presidente e vice-presidente em 31 de maio, em uma disputa que vem sendo tratada como um referendo sobre as políticas do presidente Gustavo Petro, especialmente sua controversa iniciativa de 'paz total', que busca negociar com os grupos rebeldes remanescentes no país. Segundo a maior parte das análises, a violência ligada a grupos armados piorou durante o governo Petro.

De acordo com a Missão de Observação Eleitoral da Colômbia, 386 municípios — cerca de um terço do país — estão vulneráveis à violência de grupos armados ilegais. Dados do centro de estudos Fundação Ideias para a Paz indicam que cerca de 27 mil pessoas seguem armadas em todo o território nacional.

Autoridades locais acreditam que a região se tornou vítima da estratégia de 'paz total' de Petro, criada para tentar encerrar um dos conflitos mais longos do mundo. O presidente reconhece que a iniciativa fracassou em alcançar o objetivo esperado de desarmar redes ilegais. Sua postura de diálogo com todos os grupos também ficou mais rígida recentemente. Petro suspendeu negociações com algumas facções por causa da continuidade da violência, embora mantenha conversas abertas com outras organizações.

Divisão entre candidatos

Uma divisão clara surgiu entre os candidatos à Presidência. De um lado estão os que defendem a continuidade do diálogo com grupos ilegais, como o senador Iván Cepeda, aliado político de Petro. Do outro, candidatos que prometem desmontar essas iniciativas e priorizar pressão militar, como a senadora Paloma Valencia, do partido de oposição Centro Democrático, e Abelardo de la Espriella, admirador declarado do presidente salvadorenho Nayib Bukele e defensor de uma repressão mais dura contra grupos armados ilegais.

Elizabeth Dickinson, analista sênior do International Crisis Group, acredita que a violência pode piorar caso um candidato mais linha-dura seja eleito. 'Candidatos de direita propõem uma resposta de 'mão firme' que pode agravar a violência, porque os grupos armados responderão à pressão das forças de segurança com ataques de terror, já que não têm meios para reagir de forma simétrica, exército contra exército', afirmou Dickinson.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Em dezembro, homens armados espalharam terror na pequena cidade de Buenos Aires, no sul do país, ao atacar a delegacia local. A ofensiva deixou vários policiais feridos e reduziu um banco e casas vizinhas a escombros. Entre os destroços estava a casa de Celimo Enrique Aguilar, de 89 anos. 'Ainda não perdi a esperança de que, um dia, seja possível viver em paz', disse.