A Bolívia declarou a embaixadora da Colômbia, Elizabeth García, como persona non grata e ordenou sua expulsão nesta quarta-feira, 20 de maio. A decisão foi anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores boliviano e intensifica a crise diplomática entre os dois países sul-americanos. A medida ocorre após declarações do presidente colombiano, Gustavo Petro, sobre os protestos que abalam a Bolívia.
Motivações da Expulsão
De acordo com o governo boliviano, a expulsão de García é uma resposta direta à “interferência constante” de Petro nos assuntos internos do país. O governo acusa o presidente colombiano de apoiar um “movimento desestabilizador” que ameaça a democracia boliviana. Em comunicado oficial, a chancelaria boliviana afirmou que concedeu à embaixadora o prazo previsto nas normas internacionais para encerrar suas atividades antes de deixar o território nacional.
“O Estado Plurinacional da Bolívia considera essencial que qualquer avaliação ou pronunciamento externo sobre a situação interna do país seja realizado com responsabilidade, prudência diplomática e pleno respeito às instituições democráticas e constitucionais vigentes”, destacou o texto. Apesar da medida, o governo boliviano ressaltou que a expulsão não significa uma ruptura total das relações diplomáticas com Bogotá.
Contexto dos Protestos
A crise diplomática ocorre em meio a uma onda de manifestações que varre a Bolívia desde abril. Inicialmente, os protestos eram liderados por sindicatos, trabalhadores rurais e grupos de moradores, exigindo a reversão de medidas de austeridade e salários mais altos. No entanto, a insatisfação popular cresceu ao longo das semanas, e agora os manifestantes pedem a renúncia do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o cargo no final de 2025.
Paz, um político de direita, quebrou quase duas décadas de hegemonia do partido Movimento para o Socialismo (MAS), cujo principal representante é o ex-presidente Evo Morales, atualmente foragido e com mandado de prisão em aberto por tráfico de menores. A turbulência política nos primeiros seis meses de mandato de Paz levou seu governo a mobilizar as forças armadas para garantir o controle de corredores estratégicos e assegurar a circulação em várias regiões do país.
O vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, alertou recentemente para o risco de um golpe contra Paz. “Não é possível que você tenha um processo democrático em que ele (o presidente) foi eleito esmagadoramente pelo povo boliviano há menos de um ano e agora você tem manifestantes violentos bloqueando as ruas”, declarou Landau.
Reações de Gustavo Petro
Em meio ao cenário de crise, Gustavo Petro publicou uma mensagem em suas redes sociais, classificando a onda de protestos como uma “insurreição popular” em resposta à “soberba geopolítica”. O presidente colombiano se ofereceu para mediar a crise política na Bolívia e afirmou que “não deveria haver presos políticos em nenhum lugar das Américas”.
As declarações de Petro foram interpretadas por diversos setores políticos como um apoio indireto a Evo Morales. O próprio ex-presidente, da clandestinidade, expressou publicamente seu apoio a Petro, agradecendo-lhe por ajudar a defender “a vida de homens e mulheres que lutam contra opressão política, econômica, social e cultural” em uma postagem no X (antigo Twitter).
A expulsão da embaixadora colombiana marca um novo capítulo nas tensões diplomáticas na América do Sul, com possíveis repercussões para a estabilidade regional. Enquanto isso, os protestos na Bolívia continuam, e a comunidade internacional observa com atenção os desdobramentos da crise.



