Ativista brasileiro detido em flotilha para Gaza será interrogado em Israel
Ativista brasileiro detido em flotilha será interrogado em Israel

O ativista brasileiro Thiago Ávila, detido na quinta-feira junto a mais de 175 pessoas que participavam de uma flotilha humanitária com destino à Faixa de Gaza, será interrogado em Israel, conforme informaram autoridades israelenses nesta sexta-feira, 1º de maio. A embarcação foi interceptada pela Marinha israelense em águas internacionais, próximo à ilha de Creta, na Grécia.

Detenção e acusações

Além de Thiago Ávila, o hispano-palestino Saif Abu Keshek também deverá passar por interrogatório. Segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores de Israel, ambos não estão entre os ativistas que desembarcaram em Creta e serão levados a Israel para investigação. O porta-voz da chancelaria, Oren Marmorstein, afirmou que todos os demais integrantes da flotilha já estão na Grécia, sem detalhar o paradeiro dos dois detidos.

O ministério israelense acusa Thiago Ávila de "atividade ilegal" e Saif Abu Keshek de "suspeita de ligação com organização terrorista". Além de Ávila, outros três brasileiros foram detidos: Amanda Coelho Marzall, conhecida como Mandi Coelho, militante do PSTU e pré-candidata a deputada federal por São Paulo; Leandro Lanfredi de Andrade, petroleiro e diretor sindical; e a ativista Thainara Rogério.

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A flotilha e a interceptação

A Flotilha Global Sumud, composta por cerca de vinte barcos, tinha como objetivo romper o bloqueio imposto por Israel a Gaza e levar ajuda humanitária. Segundo Hélène Coron, representante da seção francesa do grupo, ao menos 211 ativistas foram detidos, número superior aos 175 inicialmente informados por Israel. Os barcos não interceptados seguiram para Ierápetra, em Creta.

Coron relatou que agentes israelenses apontaram armas de assalto para os tripulantes e ordenaram que se deslocassem para a parte dianteira das embarcações. A interceptação ocorreu perto de Creta, a uma distância "sem precedentes" de Israel. O Ministério das Relações Exteriores israelense classificou a flotilha como "de propaganda" e alegou ter encontrado "preservativos e drogas" a bordo, afirmação contestada pelo grupo como "desinformação".

Esta não é a primeira interceptação: dois comboios anteriores, com ativistas como Greta Thunberg e figuras latino-americanas, incluindo Thiago Ávila, foram barrados pela Marinha israelense em 2025.

Reações e contexto humanitário

A abordagem foi considerada ilegal pelos organizadores e pela Anistia Internacional, gerando condenação internacional. As autoridades israelenses controlam todos os pontos de entrada em Gaza e são acusadas pela ONU e ONGs de impedir a entrada de bens, causando grave escassez desde o início da guerra em outubro de 2023.

Um relatório da Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusa Israel de usar "a privação deliberada de água" como arma contra a população palestina, em paralelo à destruição de instalações de saúde, casas e deslocamentos forçados. A prática viola o Direito Internacional Humanitário e as convenções de Genebra, constituindo crime de guerra, segundo especialistas da ONU.

Claire San Filippo, coordenadora de emergência da MSF, alertou: "As autoridades israelenses sabem que sem água a vida acaba, mas destruíram deliberada e sistematicamente a infraestrutura hídrica em Gaza, bloqueando a entrada de suprimentos."

A ONU e a União Europeia estimam que serão necessários US$ 71,4 bilhões (cerca de R$ 355 bilhões) para reconstruir Gaza na próxima década. Nos primeiros 18 meses, seriam necessários US$ 26,3 bilhões para restaurar serviços essenciais. Os prejuízos diretos à infraestrutura somam US$ 35,2 bilhões, e as perdas econômicas e sociais chegam a US$ 22,7 bilhões. Mais de 371 mil residências foram danificadas ou destruídas, quase todas as escolas estão inoperantes, mais da metade dos hospitais não funciona, e a economia encolheu 84%. Cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas, e mais de 60% perderam suas casas. Desde 7 de outubro de 2023, ao menos 72 mil palestinos morreram e 172 mil ficaram feridos, segundo fontes médicas citadas pela ONU.

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