Alemanha devolverá fóssil de dinossauro brasileiro Irritator challengeri
Alemanha devolverá fóssil de dinossauro brasileiro

Alemanha vai devolver fóssil de dinossauro brasileiro

Uma campanha de anos pela repatriação de um fóssil de dinossauro brasileiro finalmente deu resultado. Os governos do Brasil e da Alemanha anunciaram conjuntamente a intenção de que o Irritator challengeri seja entregue ao Brasil. Trata-se de um dos fósseis mais importantes do país, que há décadas estava em solo alemão. Ainda falta um prazo específico para a devolução, mas paleontólogos brasileiros consideram o anúncio um avanço significativo, especialmente após a restituição de outro fóssil brasileiro pela Alemanha em 2023.

“Eu não vou mentir que a gente tem uma alegria muito grande, é implícita, porque a gente sente como mais uma vitória. Mas eu tento conter a minha alegria pelo seguinte: é um processo lento. Então, acho que só vou comemorar de verdade quando esse fóssil estiver em solo brasileiro”, afirma Aline Ghilardi, paleontóloga da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Histórico do fóssil

Desde 1991, o fóssil brasileiro está no Museu Estatal de História Natural de Stuttgart, na Alemanha. Ele foi vendido ao museu alemão por um comerciante particular, o que contraria uma lei brasileira de 1942 que estabelece que fósseis encontrados no Brasil são propriedade do Estado. Em outras palavras, fósseis brasileiros não podem ser comercializados. Nesse sentido, o Irritator challengeri teria sido contrabandeado para a Alemanha e retirado ilegalmente da Chapada do Araripe, no sertão do Ceará.

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O nome “Irritator” foi dado porque causou, literalmente, irritação em paleontólogos estrangeiros. Ao realizarem pesquisas em 1996, eles perceberam que o crânio do dinossauro havia sido adulterado por contrabandistas, para que a peça parecesse mais completa e, assim, mais valiosa no mercado.

Campanha pela repatriação

Há anos, pesquisadores brasileiros levantam questionamentos sobre a procedência ética e legal do fóssil e passaram a reivindicar sua volta ao Brasil. A campanha pela restituição do exemplar contou com apoio internacional: uma carta aberta foi assinada por cerca de 260 especialistas de todo o mundo e enviada às autoridades alemãs, e uma petição online recolheu 35 mil assinaturas.

“Quando a gente retorna um fóssil ao seu local de origem, a gente pode mudar a vida de pessoas de diversas formas. Esse fóssil atrai visitantes, esses visitantes vêm a esses locais, esses locais passam a mobilizar a sua economia em torno desse turismo dos fósseis. O retorno desse material retorna ao povo cearense um sentimento de orgulho, de pertencimento. Do meu território, saem coisas importantes, saem histórias. Histórias que são famosas no mundo inteiro, saem histórias que inspiram crianças em diversos lugares do mundo”, afirma Ghilardi.

Características do dinossauro

O Irritator challengeri foi um dinossauro carnívoro com cerca de 6,5 metros de comprimento. Ele viveu há aproximadamente 110 milhões de anos, durante o período Cretáceo. Quando retornar ao Brasil, é esperado que o fóssil seja recebido “em casa”, no Ceará, no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri. Segundo o governo do Ceará, isso deve acontecer nos próximos meses.

Posição alemã

A DW Brasil entrou em contato com o Ministério da Ciência, Pesquisa e Artes de Baden-Württemberg, responsável pelo Museu de História Natural de Stuttgart. O órgão declarou: “Estamos dispostos a ceder o ‘Irritator challengeri’ ao Brasil como parte e no âmbito de um conceito global de aprofundamento da cooperação científica”.

“Então, não é uma luta só sobre o retorno de um dinossauro. É uma luta para diversificar a ciência, para tornar a ciência mais equitativa e para a gente redistribuir essa assimetria histórica de poder que a gente enfrenta na ciência hoje”, conclui a paleontóloga.

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