Luciano Bonilha Leão, condenado da Boate Kiss, deixa prisão para regime aberto com tornozeleira
Condenado da Boate Kiss deixa prisão para regime aberto

O ajudante da Banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão, um dos quatro condenados no trágico caso da Boate Kiss, recebeu autorização judicial para cumprir o restante de sua pena no regime aberto. Na manhã desta sexta-feira (31), ele deixou o Presídio Estadual de São Vicente do Sul, localizado na Região Central do Rio Grande do Sul, marcando uma nova fase em seu processo penal.

Progressão de regime após cumprimento parcial da pena

Com a decisão da Justiça, Bonilha não precisará mais dormir na unidade prisional e passará a ser monitorado por meio de tornozeleira eletrônica. A progressão para o regime aberto foi concedida após ele cumprir aproximadamente 28% da pena total, que foi recalculada em agosto de 2025 para 11 anos de prisão. Desde setembro de 2025, ele já estava em regime semiaberto, e em janeiro deste ano, passou a atender a todos os requisitos necessários para a mudança de regime.

Terceiro condenado a obter o benefício

Luciano Bonilha Leão é o terceiro dos quatro condenados a receber a progressão para o regime aberto. Em dezembro de 2025, Elissandro Spohr, conhecido como Kiko, e Marcelo de Jesus dos Santos também tiveram suas penas progressivas concedidas. Atualmente, apenas Mauro Hoffmann aguarda o cumprimento dos requisitos necessários para a mudança de regime.

A defesa de Luciano Bonilha emitiu um comunicado afirmando que ele cumpriu integralmente a pena estabelecida pelo Poder Judiciário. Segundo os advogados, o desejo do condenado é retomar sua vida, trabalhar e viver em paz ao lado de sua família, longe dos holofotes que cercam o caso.

Redução das penas em agosto de 2025

As penas dos quatro condenados foram reduzidas durante um julgamento realizado no dia 26 de agosto de 2025. A 1ª Câmara Especial Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul manteve a validade do júri original, mas decidiu, por unanimidade, diminuir as condenações. As novas penas ficaram estabelecidas da seguinte forma:

  • Elissandro Callegaro Spohr: redução de 22 anos e 6 meses para 12 anos
  • Mauro Londero Hoffmann: redução de 19 anos e 6 meses para 12 anos
  • Marcelo de Jesus dos Santos: redução de 18 anos para 11 anos
  • Luciano Bonilha Leão: redução de 18 anos para 11 anos

A relatora do caso, desembargadora Rosane Wanner da Silva Bordasch, rejeitou a tese das defesas de que a decisão dos jurados foi contrária às provas apresentadas no processo. Em seu voto, ela afirmou: "As penas finais ficam, portanto, em 11 anos de reclusão para Luciano e Marcelo, e 12 anos de reclusão para Elisandro e Mauro no regime fechado. Por fim, são mantidas também as prisões dos acusados, tendo em vista o regime inicial fixado e o entendimento sufragado pelo STF".

Recurso do Ministério Público

O Ministério Público ingressou na Justiça com um recurso pedindo a modificação da decisão que reduziu as penas dos condenados. Conforme a instituição, o objetivo é restabelecer as condenações aplicadas pelo Tribunal do Júri em dezembro de 2021, que eram significativamente mais severas.

Relembrando a tragédia da Boate Kiss

O incêndio na Boate Kiss, ocorrido em Santa Maria, Rio Grande do Sul, completa mais de uma década, mas permanece como uma das maiores tragédias do país. A maioria das vítimas morreu por asfixia após inalar a fumaça tóxica gerada quando o fogo atingiu a espuma que revestia o teto do palco, onde a banda se apresentava.

Um artefato pirotécnico usado por um dos membros da banda teria dado início ao fogo. Centenas de pessoas ficaram desesperadas e começaram a correr em busca de uma saída. Segundo relatos de bombeiros que fizeram o primeiro atendimento, muitas vítimas tentaram escapar pelo banheiro do estabelecimento e acabaram morrendo no local.

O caso gerou uma série de documentários e reportagens especiais, incluindo uma produção do Globoplay que relembra os detalhes da tragédia e suas consequências para as famílias das vítimas e para a cidade de Santa Maria.