O ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a mais de 173 anos de prisão por estupro de pacientes, deverá passar por uma nova avaliação de saúde para tentar cumprir a pena em regime de prisão domiciliar. A decisão foi tomada pela juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani nesta quarta-feira (21), visando analisar o atual estado de saúde do detento, que atualmente cumpre pena em regime fechado na Penitenciária P2, conhecida como 'presídio dos famosos', em Tremembé, no interior de São Paulo.
Detalhes do pedido e justificativas médicas
Com 82 anos de idade, Abdelmassih solicitou à Justiça, no final do ano passado, a possibilidade de cumprir a pena em sua residência. O primeiro pedido da defesa foi formalizado em novembro de 2025, e em dezembro do mesmo ano, a defesa reforçou a solicitação, apresentando um laudo médico que aponta risco de 'morte súbita' para o paciente.
De acordo com os documentos médicos anexados ao processo, o ex-médico enfrenta uma série de comorbidades graves, incluindo cardiopatia isquêmica severa, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, histórico de infarto, acidente vascular cerebral recente, infecção por HIV, broncopatia, depressão e câncer de próstata. Além disso, ele já está incluído em cuidados paliativos.
Riscos à saúde e limitações do sistema prisional
Exames recentes revelaram novas obstruções coronarianas significativas e um risco elevado de arritmias, com possibilidade de necessidade de implante de marcapasso. A defesa argumenta que o sistema prisional não possui estrutura adequada para atender emergências médicas complexas, especialmente cardiovasculares, citando relatórios oficiais que indicam limitações no atendimento hospitalar nas unidades prisionais.
Ainda não há um prazo definido para a emissão do novo laudo médico-pericial, nem para a decisão final da Justiça sobre a concessão da prisão domiciliar. O g1 entrou em contato com a defesa de Roger Abdelmassih e aguarda retorno.
Histórico da condenação e prisão
Roger Abdelmassih, que era considerado um dos principais especialistas em reprodução humana no Brasil, foi condenado à prisão em novembro de 2010. Inicialmente, ele não foi preso devido a um habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que permitia que respondesse ao processo em liberdade.
No entanto, o habeas corpus foi revogado pela Justiça em janeiro de 2011, quando o ex-médico tentou renovar seu passaporte, levantando suspeitas de que poderia tentar deixar o país. Com a decretação da prisão e sua falta de apresentação, Abdelmassih passou a ser procurado pela polícia até ser capturado em 2014 no Paraguai.
Em 24 de maio de 2011, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) cassou o registro profissional de Roger Abdelmassih, encerrando sua carreira médica. Atualmente, ele cumpre pena na Penitenciária Dr. José Augusto César Salgado, a P2 de Tremembé, aguardando o desfecho do novo pedido de prisão domiciliar com base em suas condições de saúde.