TRE-SP mantém inelegibilidade de Pablo Marçal por 8 anos em decisão apertada
TRE-SP mantém Pablo Marçal inelegível por 8 anos

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) confirmou, nesta quinta-feira (4), a inelegibilidade do empresário e ex-candidato à Prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal (PRTB), por um período de oito anos. A decisão, considerada decisiva por ser em segunda instância, foi tomada por uma maioria apertada de 4 votos a 3 e tem como base o uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha eleitoral de 2024.

Os detalhes da decisão judicial

A Corte manteve a penalidade que impede Marçal de disputar eleições até o ano de 2032. A multa de R$ 420 mil aplicada por descumprimento de ordem judicial também foi confirmada. No entanto, os desembargadores afastaram as condenações impostas em primeira instância por captação e gastos ilícitos de recursos e por abuso de poder econômico.

O relator do caso, juiz Claudio José Langroiva Pereira, foi seguido pelos magistrados Rogério Luis Adolfo Cury e Roberto Maia. A divergência foi aberta pelo juiz Regis de Castilho Barbosa Filho, que foi acompanhado pela juíza Maria Domitila Prado Manssur e pelo desembargador federal Mairan Gonçalves Maia Júnior. O desempate ficou a cargo do presidente do TRE-SP, desembargador Silmar Fernandes, que votou a favor da manutenção da inelegibilidade.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O que foi investigado nos processos

As ações que resultaram na condenação foram movidas pelo PSB, pelo Ministério Público Eleitoral e pela vereadora eleita Silvia Ferraro (PSOL/Rede), ainda em 2024. A Justiça Eleitoral analisou a realização de um "concurso de cortes", estratégia na qual colaboradores eram incentivados financeiramente e com brindes a produzir e divulgar vídeos de campanha nas redes sociais.

Em outra ação, também foi apurado o pagamento de um anúncio no Google feito pela maquiadora da esposa de Marçal, que direcionava os usuários para o site oficial da campanha do então candidato. Em primeira instância, ele havia sido condenado por mais crimes, mas o pedido de condenação por compra de votos foi rejeitado.

Contexto e próximos passos

Esta decisão é tida como crucial porque, em um processo separado julgado anteriormente, no próprio dia 6 de novembro, o TRE-SP havia revertido uma outra condenação que também tornava Pablo Marçal inelegível. Com a confirmação nesta quinta-feira, em segunda instância, a situação do ex-candidato se consolida.

A defesa de Pablo Marçal ainda pode recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Procurados, os advogados do empresário não se pronunciaram até o fechamento desta reportagem.

Em nota, os advogados Rafael Carneiro e Felipe Corrêa, do PSB, afirmaram que o TRE-SP resguardou a lisura do processo eleitoral e reafirmou o compromisso da Justiça Eleitoral com o cumprimento das regras, essenciais para a credibilidade das eleições.

Além deste caso, Marçal enfrenta outra condenação em primeira instância, de julho, por crimes similares, que ainda aguarda análise pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar