TSE vota por inelegibilidade de Cláudio Castro por abuso de poder nas eleições de 2022
TSE vota por inelegibilidade de Cláudio Castro por abuso de poder

TSE decide pela inelegibilidade de ex-governador do Rio por abuso de poder eleitoral

Nesta terça-feira (23), a maioria dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral votou para declarar o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, inelegível por abuso de poder político e econômico durante as eleições estaduais de 2022. A decisão ocorreu mesmo após a renúncia de Castro ao mandato, anunciada na segunda-feira (22), demonstrando que o processo eleitoral segue seu curso independentemente da situação política atual.

Processo eleitoral com origem em 2022

O caso teve início ainda em 2022, quando o Ministério Público Eleitoral e a coligação que apoiava Marcelo Freixo, adversário de Castro na disputa pelo governo fluminense, ingressaram com ações de investigação eleitoral. As acusações incluíam não apenas abuso de poder político e econômico, mas também irregularidades nos gastos de recursos eleitorais e conduta proibida a agentes públicos durante o período eleitoral.

Segundo as denúncias, o processo poderia resultar na cassação de mandatos e na declaração de inelegibilidade por um período de oito anos para os envolvidos. As investigações apontaram para supostas irregularidades em duas instituições estaduais:

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  • Ceperj (Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro)
  • Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Acusações específicas e envolvidos

As alegações apresentadas pelo MP Eleitoral e pela campanha de Freixo incluíam uma série de irregularidades graves:

  1. Desvirtuamento da atuação da Ceperj para fins eleitoreiros
  2. Aumento exponencial do orçamento e valores empenhados pela Ceperj para execução de projetos não previstos em lei
  3. Criação de programas sociais não incluídos no orçamento estadual
  4. Manutenção de uma "folha de pagamento secreta" com aproximadamente 18 mil pessoas contratadas sem concurso público

Além de Cláudio Castro e seu vice, Thiago Pampolha, o processo também envolve Rodrigo Bacellar, deputado estadual afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente da Ceperj.

Trajetória processual nos tribunais eleitorais

O caso percorreu uma trajetória judicial complexa antes de chegar ao TSE:

Em 2024, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) absolveu o governador e o vice-governador, mantendo seus mandatos. No entanto, tanto o Ministério Público Eleitoral quanto a coligação de Freixo recorreram da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral, reiterando as acusações e solicitando a condenação com perda dos cargos e declaração de inelegibilidade.

Julgamento no TSE e votos dos ministros

O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral começou em novembro do ano passado, com o relatório e voto da ministra Isabel Gallotti, relatora do caso. Na ocasião, Gallotti votou pela cassação e inelegibilidade do governador, além da realização de novas eleições para o cargo.

Um pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira interrompeu temporariamente a análise, mas quando retomou no dia 10 deste mês, Ferreira acompanhou integralmente o entendimento da relatora, tornando-se o segundo voto favorável à aplicação das penalidades.

A ministra Gallotti também concluiu que o deputado estadual Rodrigo Bacellar deve perder o mandato e ficar inelegível, assim como Gabriel Lopes, votando ainda pela aplicação de multas aos envolvidos, incluindo Thiago Pampolha.

Argumentos das defesas

As defesas dos acusados apresentaram argumentos contrários às acusações:

A defesa de Cláudio Castro afirmou que fatos administrativos alheios ao cenário eleitoral não teriam o poder de interferir na eleição, negando qualquer abuso de poder ou uso eleitoreiro da Ceperj e Uerj.

Os advogados de Thiago Pampolha defenderam a rejeição dos recursos, sustentando que as provas são frágeis e que a decisão do TRE-RJ ocorreu de forma fundamentada. As defesas de Bacellar e Lopes também argumentaram pela necessidade de rejeição dos pedidos.

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Com a maioria dos votos já favorável à inelegibilidade de Castro, o caso agora aguarda a conclusão do julgamento com os votos dos demais ministros do TSE, após um pedido de vista do ministro Nunes Marques que adiou temporariamente a deliberação final.