Senador solicita à PGR afastamento de Toffoli da relatoria do caso Master
O senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, protocolou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, uma representação formal junto à Procuradoria-Geral da República. O documento solicita que a PGR apresente ao Supremo Tribunal Federal um pedido de suspeição do ministro Dias Toffoli na condução do inquérito que investiga fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.
Indícios de vínculo comercial com investigados
Segundo a representação do parlamentar, a Polícia Federal identificou menções ao ministro Toffoli em diálogos mantidos entre investigados do caso. As conversas incluíam referências a pagamentos destinados à empresa Maridt Participações S.A., da qual o magistrado integra o quadro societário. Essas informações foram encaminhadas ao presidente do STF, Edson Fachin.
No documento enviado à PGR, o senador sustenta que existem indícios suficientes para questionar a permanência do ministro na relatoria do processo. "A existência de um vínculo comercial em que o julgador figuraria, em tese, como beneficiário de recursos pagos pelo investigado mitigaria de forma intensa a imparcialidade do Ministro Dias Toffoli", afirma Vieira em um dos trechos.
Defesa da aparência de imparcialidade
O parlamentar argumenta ainda que "a Justiça não deve apenas ser imparcial, mas deve parecer imparcial perante a sociedade". Ele defende que a manutenção da relatoria nas mãos de Toffoli, diante dos fatos relatados pela Polícia Federal, compromete significativamente a credibilidade da investigação em curso.
Vieira acrescenta em sua representação: "A manutenção da relatoria nas mãos do magistrado em tela, em meio a indícios progressivamente relatados pela imprensa, ofenderia, de uma só vez, o princípio do devido processo legal e a própria moralidade administrativa."
Pedidos específicos à Procuradoria-Geral
O senador solicita à PGR que formalize a arguição de suspeição perante o Supremo Tribunal Federal, com o consequente afastamento imediato do ministro Toffoli da relatoria do caso Master. Além disso, pede:
- Apuração específica sobre os pagamentos realizados à empresa Maridt Participações S.A.
- Investigação de possíveis crimes de corrupção passiva
- Investigação de possíveis crimes de prevaricação
- Investigação de possíveis crimes de obstrução de Justiça
Resposta do ministro Dias Toffoli
O gabinete do ministro do STF divulgou uma nota oficial para esclarecer os negócios relacionados ao resort Tayaya e negar qualquer irregularidade. Toffoli afirmou que a Maridt é uma empresa familiar constituída como sociedade anônima de capital fechado, devidamente registrada na Junta Comercial e com declarações anuais aprovadas pela Receita Federal do Brasil.
Segundo a nota, o ministro integra o quadro societário da empresa, que é administrada por seus parentes. Toffoli ressaltou que, de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, o magistrado pode participar do quadro societário de empresas e receber dividendos, sendo vedado apenas praticar atos de gestão como administrador.
A empresa Maridt foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação foi encerrada através de duas operações sucessivas: a venda de cotas ao Fundo Arllen em setembro de 2021 e a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding em fevereiro de 2025.
"A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro", destacou a nota.
O ministro também esclareceu que desconhece o gestor do Fundo Arllen e que jamais teve qualquer relação de amizade, muito menos amizade íntima, com o investigado Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Finalmente, Toffoli afirmou categoricamente que nunca recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.



