Moraes exige explicações da Alerj sobre 'gratificação faroeste' para policiais
Moraes cobra Alerj por 'gratificação faroeste' a policiais

STF cobra explicações da Assembleia do Rio sobre bônus a policiais por mortes em operações

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) envie esclarecimentos detalhados sobre a polêmica "gratificação faroeste" – um bônus em dinheiro destinado a policiais civis que executarem criminosos durante operações. O prazo estabelecido pelo magistrado é de dez dias, contados a partir da notificação oficial.

Decisão colegiada e relevância constitucional

Moraes decidiu que o caso, devido à sua "relevância da matéria e de seu especial significado para a ordem social e a segurança jurídica", deve ser julgado diretamente no plenário do STF, sem uma decisão monocrática inicial. Isso significa que todos os ministros da Corte Suprema participarão da análise, destacando a importância constitucional da questão.

Origem da premiação e veto derrubado

A gratificação foi criada como parte de um projeto de lei que reestruturou a Polícia Civil do Rio de Janeiro. Inicialmente, o governador Cláudio Castro (PL) vetou o trecho que instituía o bônus, mas os deputados estaduais derrubaram o veto no plenário da Alerj. A nova legislação prevê:

  • Uma gratificação "por mérito especial", com percentual mínimo de 10% e máximo de 150% do salário.
  • Pagamento em casos como o policial ser vitimado em serviço, apreender armas de grande calibre ou de uso restrito, ou neutralizar criminosos em operações policiais.

Ação do PSOL e questionamentos legais

O dispositivo é alvo de uma ação movida pelo PSOL, que acionou o STF alegando que a premiação estimula a letalidade policial e viola princípios constitucionais. O partido também argumenta que os deputados não poderiam criar uma despesa remuneratória para os cofres estaduais sem a aprovação prévia do Poder Executivo, levantando questões sobre a legalidade do procedimento legislativo.

Contexto processual e próximos passos

O processo foi distribuído ao gabinete de Moraes por prevenção, pois ele é o relator da ADPF das Favelas, ação que trata da violência policial no Rio de Janeiro. Além das informações da Alerj, o ministro solicitou:

  1. Esclarecimentos do governador Cláudio Castro.
  2. Pareceres da Procuradoria-Geral da República (PGR).
  3. Pareceres da Advocacia-Geral da União (AGU).

Após a coleta desses dados, Moraes liberará o processo para julgamento no plenário, onde os ministros debaterão os impactos sociais, jurídicos e éticos da "gratificação faroeste".