Médico do Paraná paga R$ 120 mil por delegar cirurgias do SUS a residentes
Médico paga multa por delegar cirurgias do SUS

Um médico ortopedista de Umuarama, no noroeste do Paraná, foi alvo de uma operação do Ministério Público do estado por delegar cirurgias pagas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a médicos residentes. A investigação, que resultou em um acordo com multa pesada, revelou uma trama para priorizar o atendimento particular em detrimento do público.

Operação Fratura Exposta investiga esquema

Em setembro de 2025, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Fratura Exposta. O alvo era o médico Maxsuel Fidelis de Padua Almeida. Os promotores investigavam crimes de peculato e falsidade ideológica.

Durante a ação, mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos endereços do profissional. Documentos e celulares foram apreendidos, e Maxsuel foi afastado de suas funções públicas. A análise do material apreendido revelou o esquema.

Como funcionava o esquema do médico

A investigação do MP-PR constatou que, entre 24 de junho e 21 de agosto de 2025, o ortopedista deixou de comparecer para realizar 18 cirurgias agendadas pelo SUS em um hospital de Umuarama.

No entanto, nos mesmos dias e horários dos procedimentos marcados, o consultório particular de Maxsuel registrou um movimento intenso. Ele atendeu mais de 75 pacientes particulares nesses períodos.

Para esconder as faltas e receber os pagamentos do SUS, o médico falsificou prontuários e documentos, registrando falsamente sua presença nas cirurgias. Os residentes que efetivamente realizaram os procedimentos não receberam qualquer pagamento extra, apenas a bolsa-auxílio regular.

Acordo com o Ministério Público

Diante das provas, Maxsuel confessou os atos. Por preencher os requisitos legais, ele fechou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público do Paraná.

Esse instrumento jurídico, previsto na Lei Anticrime (13.964/2019), permite substituir um processo criminal por outras formas de reparação quando o investigado confessa e a infração não envolve violência grave.

As condições do acordo são severas:

  • Pagamento de uma multa de R$ 120 mil.
  • Suspensão do atendimento ao SUS por seis meses, seja de forma pessoal ou em consultórios dos quais seja sócio.

O g1 tentou contato com a defesa do médico, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

O que é o Acordo de Não Persecução Penal?

O Acordo de Não Persecução Penal é uma alternativa ao processo criminal tradicional. Ele é cabível quando:

  1. A infração não envolve violência ou grave ameaça.
  2. A pena mínima prevista é inferior a quatro anos.
  3. O investigado confessa o crime.
  4. Ele aceita as condições de reparação propostas pelo MP.

Celebrado entre o Ministério Público e o investigado, o ANPP tem o objetivo de resolver casos de forma mais rápida e efetiva, descongestionando o judiciário e garantindo uma reparação imediata pelos danos causados.