Fachin repudia inclusão de ministros do STF em relatório da CPI do Crime como 'indevida'
Fachin repudia inclusão de ministros do STF em CPI do Crime

Fachin repudia inclusão de ministros do STF em relatório da CPI do Crime como 'indevida'

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), repudiou nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, a inclusão dos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes no relatório final da CPI do Crime Organizado. Em nota oficial, Fachin classificou a menção dos colegas como 'indevida', expressou sua solidariedade e ressaltou a importância de que a independência dos Três Poderes seja respeitada.

Críticas à CPI e defesa da democracia

Segundo a nota da Presidência do STF, o tribunal reconhece a atividade das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) 'nos limites constitucionais e circunscritas à pertinência temática que deu ensejo à sua criação'. No entanto, Fachin alertou que desvios de finalidade temática dessas comissões enfraquecem os pilares democráticos e ameaçam os direitos fundamentais de qualquer cidadão.

O comunicado afirmou ainda: 'Este Tribunal está ciente de que cabe a todos respeitar a independência e a autonomia dos Poderes da República, como é da secular tradição de nossas instituições. O Supremo Tribunal Federal reafirma que seguirá firme em sua missão de guardar a Constituição e proteger as liberdades democráticas'.

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Manifestações dos ministros envolvidos

Também na terça-feira, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli se manifestaram sobre o tema durante sessão da Segunda Turma da Corte. Para Gilmar, o relator Alessandro Vieira, delegado de carreira, 'se esqueceu dos seus colegas milicianos e decidiu envolver o Supremo Tribunal Federal por ter concedido um habeas corpus'.

Em postagem no X (antigo Twitter), Gilmar criticou a forma como os trabalhos do colegiado foram conduzidos: 'Chama atenção o fato de que uma CPI instaurada após o massacre de 120 pessoas nos Complexos do Alemão e da Penha no ano passado, não tenha promovido sequer a quebra de sigilos de milicianos ou integrantes das facções que controlam territórios no Rio de Janeiro'.

Já Toffoli afirmou que o relatório tem caráter eleitoreiro e que seus autores podem ter os mandatos cassados: 'A Justiça Eleitoral não faltará em punir aqueles que abusam do seu poder para obter votos num proselitismo eleitoral'.

Conteúdo do relatório e implicações práticas

O relatório, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), acusa os ministros e o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, de cometerem crimes de responsabilidade por ações e omissões no caso do Banco Master. O parecer pede o impeachment dos magistrados e do chefe da PGR.

No entanto, os pedidos de encaminhamento não têm efeito prático imediato e dependem de decisão do presidente do Senado, o senador Davi Alcolumbre (União-AP). Essa situação destaca as tensões entre os Poderes e a complexidade do processo político-jurídico envolvido.

O episódio reforça a necessidade de um debate sobre os limites das CPIs e a preservação da separação de poderes no Brasil, temas centrais para a estabilidade democrática do país.

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