Do Val pede licença do mandato horas antes de Moraes revogar prisões preventivas — entenda o jogo de xadrez político
Do Val se licencia antes de Moraes revogar prisões

Parece coisa de roteiro de filme, mas é a pura realidade de Brasília. Numa jogada que mistura timing preciso e uma dose generosa de estratégia política, o deputado federal André do Val (PL-SP) decidiu dar um passo atrás para, quem sabe, evitar uma queda maior.

Na quarta-feira, 28 de agosto, ele formalizou seu licenciamento do mandato. Um mês, foi o que pediu. Coincidência ou não, a decisão saiu apenas algumas horas antes de um veredito crucial do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

E que veredito! Moraes, na manhã de hoje, simplesmente revogou — sim, cancelou — as prisões preventivas que pesavam sobre Do Val e mais outros dois investigados no inquérito que apura supostos crimes contra a honra da primeira-dama, Janja.

O timing que fala mais alto

Ora, mas se as cautelares caíram, qual o problema? Aí é que está o pulo do gato. Especialistas em direito constitucional que acompanham o caso já sussurram nos corredores: a saída antecipada do deputado foi uma jogada de mestre.

Ao se licenciar, Do Val perde, ainda que temporariamente, seu foro privilegiado. Isso significa que qualquer novo pedido de prisão contra ele — e a Polícia Federal já tinha um na manga, sabia? — teria que ser analisado pela Justiça comum, e não mais pelo STF. Muda o juiz, muda o cenário, muda completamente o jogo.

Não é inteligente? Quase um xeque-mate preventivo.

O que dizem os autos

O inquérito, que corre em absoluto sigilo, investiga um suposto esquema de disparos em massa de mensagens contra Janja. Conteúdo agressivo, ofensivo, aquele tipo de coisa que envenena o debate público. A Polícia Federal, claro, não ficou parada.

Em julho, a força-tarefa do caso pediu a prisão preventiva de Do Val e dos outros envolvidos. O argumento? Risco de obstrução da investigação. Moraes, na época, concordou em parte: converteu o pedido de prisão em medidas cautelares menos severas. Mas o clima sempre foi de tensão.

Agora, com a revogação, tecnicamente eles estão livres dessas amarras. Mas ninguém na capital federal acha que a história termina aqui. Longe disso.

O licenciamento de Do Val, na prática, é um salvo-conduto. Um respiro. Uma pausa tática num jogo que está longe de acabar. A questão que fica, e que todo mundo se pergunta, é: o que vem a seguir? A PF vai reaver seu pedido de prisão na Justiça comum? O ministro Moraes comentará o movimento do deputado?

Enquanto as peças continuam se movendo neste tabuleiro de alta complexidade, uma coisa é certa: em Brasília, o dia a dia nunca é entediante.