Disputa por vaga no TCU esquenta com aposentadoria de ministros e pressão partidária
Batalha política por cadeira no TCU mobiliza Câmara

A disputa por uma das posições mais poderosas e influentes da República, o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), promete dominar os trabalhos da Câmara dos Deputados a partir de fevereiro. O cenário foi inflamado pela iminente aposentadoria compulsória de um ministro e pela possibilidade de uma saída antecipada de outro, abrindo espaço para uma intensa batalha política entre partidos e candidatos.

O Poder Cobiçado do TCU e a Abertura das Vagas

O TCU consolidou-se nas últimas décadas como uma instituição com protagonismo excepcional, indo além de sua função original de fiscalizar a aplicação do dinheiro público. O tribunal passou a arbitrar conflitos em concessões, determinar a paralisação de obras e até influenciar diretamente programas de governo, como ficou evidente no caso da intervenção na liquidação do Banco Master.

Esse poder ampliado transformou cada uma de suas nove cadeiras em um objeto de desejo político. Agora, duas delas estão em jogo. Em fevereiro de 2026, o ministro Aroldo Cedraz completa 75 anos e será obrigado a se aposentar. Ele ocupa uma das vagas reservadas à indicação da Câmara dos Deputados, o que coloca a Casa no centro do furacão sucessório.

Além disso, o ministro Augusto Nardes, que só se aposentaria compulsoriamente em 2027, confirmou à revista VEJA que avalia antecipar sua saída para disputar um cargo eletivo, possivelmente de senador ou vice-governador no Distrito Federal ou no Rio Grande do Sul. Se confirmada, essa decisão abriria uma segunda vaga em um curto espaço de tempo, intensificando ainda mais a corrida.

A Disputa na Câmara e a Quebra de Acordos

Pelo menos quatro deputados já se lançaram oficialmente como candidatos à vaga que será aberta com a saída de Cedraz: Odair Cunha (PT-MG), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Danilo Forte (União Brasil-CE) e Hugo Leal (PSD-RJ).

O Partido dos Trabalhadores (PT) alega ter um acordo político que lhe garantiria a indicação. Em troca do apoio à eleição do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara, o PT teria recebido a promessa de retribuição com apoio a um petista para o TCU. A legenda vê essa como uma chance histórica de ocupar um espaço de poder tradicionalmente dominado por políticos de centro.

No entanto, o acordo mostra sinais de fragilidade. O deputado Danilo Forte, um dos candidatos, declarou abertamente que "O PT não pode cobrar ninguém porque ele próprio não cumpre acordos". Ele aposta em sua popularidade entre os colegas, conquistada quando, como relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias, elaborou um cronograma que forçou o governo a adiantar o pagamento das emendas parlamentares antes das eleições.

Hugo Leal também se apresenta como forte concorrente, contando com uma extensa rede de relações construída como relator da Comissão de Orçamento em 2022. Já a candidatura de Elmar Nascimento é considerada frágil devido a uma investigação da Polícia Federal que apura seu suposto envolvimento em desvios de recursos públicos.

Novos Atores e o Futuro da Sucessão

Diante do risco de o processo fugir ao controle ou de o acordo com o PT ser rompido, o presidente da Câmara, Hugo Motta, recebeu aconselhamento para adiar a escolha do novo ministro. A estratégia ganha ainda mais complexidade com a possível entrada em cena do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Se Augusto Nardes antecipar sua aposentadoria, o PL já sinalizou que entrará na disputa pela cadeira. Esse movimento aumentaria o capital político de Hugo Motta, que planeja uma reeleição para a presidência da Casa, e embaralharia completamente as cartas em um jogo que já é extremamente competitivo.

A eleição no plenário da Câmara será secreta, em turno único, e vencerá o candidato que obtiver o maior número de votos. Para concorrer, os interessados precisam ter mais de 35 anos, idoneidade moral, reputação ilibada e conhecimentos em áreas como finanças, contabilidade ou administração pública. A batalha por essa vaga, no entanto, demonstra que, mais do que o perfil técnico, são as alianças políticas e a força partidária que definirão quem ocupará a próxima cadeira no poderoso Tribunal de Contas da União.