Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos: símbolo histórico de Natividade no Tocantins
Ruínas da Igreja do Rosário dos Pretos: símbolo de Natividade-TO

Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos: símbolo histórico de Natividade no Tocantins

O município de Natividade, localizado no sudeste do Tocantins, é uma das cidades mais antigas do estado, tombada como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Conhecida por seus monumentos históricos, um dos principais símbolos são as Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, uma obra que começou a ser construída por volta de 1741, mas permaneceu inacabada devido à longa duração das construções na época colonial.

Origem e significado da igreja inacabada

Segundo o professor, historiador e escritor Watila Misla Bonfim, doutor em História pela Universidade de Brasília (UnB), a igreja teria sido a primeira do Arraial de Natividade. O nome da igreja é originário da santa, cuja devoção teria vindo do norte de Portugal. "A gente acredita que moradores que vieram daquela região de Portugal teriam trazido essa devoção, e ela teria sido a primeira santa que chegou aqui, no antigo norte de Goiás", explicou Watila, que foi o primeiro a registrar um estudo detalhado sobre a cidade e seus monumentos em uma tese de doutorado apresentada em 2025.

Vida social e desmistificação histórica

Em entrevista, o professor destacou que a igreja era frequentada por brancos e negros, com a maioria sendo negros, incluindo escravos e alforriados. Apenas para ocupar cargos era necessário não ser escravizado. "Isso desmistifica a ideia de que era a 'igreja dos escravos'. Boa parte das pessoas que frequentavam a Igreja do Rosário dos Pretos já eram pessoas alforriadas. Inclusive, a gente encontrou até pessoas brancas frequentando, na documentação testamental que eu encontrei em Natividade", contou.

Watila enfatizou que a vida social da população colonial acontecia na igreja, onde as pessoas precisavam fazer doações em ouro para participar dos cultos. No caso dos escravos, as doações eram feitas pelos seus senhores. "Era um local de festas, de sociabilidade. Um local para os negros e suas gerações se reunirem", disse.

Cartão-postal e sentimento de pertencimento

A antiga igreja é considerada o cartão-postal de Natividade, sendo o local mais visitado e fotografado. Simone Camelo, presidente da Associação Comunitária Cultural de Natividade (Asccuna) e empresária do ramo cultural na cidade, afirmou que morar em Natividade é um privilégio. "Eu tenho minhas raízes familiares em Natividade. Nasci e fui criada nesse solo sagrado, cheio de vida e de muitas estórias e histórias, com um povo forte – o maior responsável pela sua preservação", disse.

Simone compartilhou que tem inúmeras lembranças marcantes ligadas à Igreja Nossa Senhora da Natividade. "Esse cenário traz vários sentimentos. A beleza e a grandiosidade demonstram a sua força. Permanecer de pé ao longo dos séculos e estar acessível a todos dá a sensação de pertencimento. Ela mexe com todos que pisam naquele solo", completou.

Natividade: cidade patrimônio histórico

Natividade é uma cidade histórica tombada pelo Iphan, conhecida por seu casario colonial do século XVIII e monumentos religiosos e civis marcantes. Os principais monumentos incluem:

  • As Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
  • A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade (1759)
  • A Igreja de São Benedito
  • O Prédio da Antiga Cadeia Pública
  • As Ruínas de São Luís

De acordo com o doutor Watila, arqueólogos avaliam que a cidade teria surgido antes da data de 1734 e seria a primeira cidade do Tocantins. "O patrimônio imaterial se mescla à riqueza simbólica passada nas gerações, que ficou na essência da população tocantinense", afirmou o historiador, destacando a importância cultural e histórica deste tesouro colonial.