Projeto presidencial de Kassab no PSD sofre revés com saída de Ratinho Jr.
A estratégia política do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de lançar um candidato próprio à Presidência da República em 2026 enfrenta uma séria dificuldade após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Jr., da pré-candidatura pela legenda. A decisão, anunciada oficialmente na segunda-feira, 23 de março de 2026, representa um golpe significativo nos planos do partido de consolidar uma 'terceira via' no cenário eleitoral brasileiro.
Compromisso com o Paraná e retorno ao setor privado
Em nota divulgada à imprensa, o governador paranaense justificou sua decisão com o compromisso assumido com os eleitores do estado, destacando que concluirá seu mandato até dezembro de 2026. Ratinho Jr. enfatizou as conquistas de sua gestão, que incluem:
- Consolidação da melhor educação do Brasil
- Menores índices criminais dos últimos 20 anos
- Maior investimento em infraestrutura da história do estado
- Excelência em sustentabilidade por quatro anos consecutivos
O comunicado ainda revelou que, após encerrar sua carreira política, o governador pretende retornar ao setor privado para presidir o Grupo de Comunicação fundado por seu pai, o apresentador Ratinho.
Panorama eleitoral desfavorável para as alternativas restantes
Com a saída de Ratinho Jr., o PSD fica com apenas dois nomes na disputa presidencial:
- Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, que enfrenta dificuldades de expressão eleitoral e apresenta desempenho ínfimo nas pesquisas
- Ronaldo Caiado, governador de Goiás, que é pouco conhecido nacionalmente, flerta com o bolsonarismo e não conta com apoio do União Brasil
Analistas políticos apontam que nenhum dos dois pré-candidatos possui o mesmo apelo eleitoral que Ratinho Jr., cuja popularidade no Paraná alcançava 85% de aprovação. A situação é agravada pelo fato de que ambos apresentam números modestos nas pesquisas de intenção de voto, colocando em risco a viabilidade do projeto de 'terceira via' idealizado por Kassab.
Contexto político e sucessão no Paraná
Nos bastidores, a decisão de Ratinho Jr. é atribuída também ao cenário sucessório no Paraná. O senador Sergio Moro, que se filiará ao PL nesta terça-feira, 24, lidera todas as pesquisas de intenção de voto para o governo estadual, contando com o apoio de Flávio Bolsonaro. Diante desse quadro, o governador paranaense teria optado por dedicar mais tempo ao processo de sucessão em seu estado, garantindo a continuidade de seu projeto político.
Futuro incerto para a estratégia do PSD
Com o prazo para desincompatibilização de governadores se aproximando, as articulações dentro do PSD devem se intensificar nos próximos dias. Resta a incógnita sobre se Gilberto Kassab insistirá no projeto de terceira via pelo centro político ou se reconsiderará sua estratégia, facilitando articulações estaduais onde caciques do partido apoiam o governo Lula.
A ausência de Ratinho Jr. como candidato viável representa um desafio considerável para o PSD, que agora precisa reavaliar seu posicionamento na disputa presidencial de 2026 diante de um cenário eleitoral cada vez mais complexo e polarizado.



