O acusado de matar o vizinho a facadas após uma discussão por causa do barulho de uma motosserra vai a júri nesta segunda-feira (18) em Passo Fundo, na Região Norte do Rio Grande do Sul. O crime ocorreu em abril de 2018, quando Claudir Pereira, então com 38 anos, desferiu dois golpes de faca no peito de Marco Aurélio Lengler, que não resistiu aos ferimentos.
Detalhes do crime
O homicídio aconteceu em frente ao prédio onde a vítima morava com a família, no bairro Vila Rodrigues. Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), a vítima havia reclamado que o barulho da motosserra utilizada pelo réu teria acordado seu filho. Após a reclamação se repetir, Marco desceu do apartamento para falar com Claudir. Imagens de câmeras de monitoramento registraram a discussão e a luta corporal entre os dois. Marco foi atingido por duas facadas no peito, chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
Claudir Pereira responde por homicídio qualificado, com o agravante pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme a denúncia do MP. O julgamento está marcado para as 10h no Fórum da cidade.
A dor da espera pela justiça
A família de Marco aguarda o julgamento há oito anos, período marcado por sofrimento e pela busca por um desfecho. A mãe da vítima, Fátima Noelli Lengler, desabafou: "A gente esperou por oito anos por esse momento. Então, a nossa expectativa é que a justiça seja feita, porque ninguém tem direito de tirar uma vida". Ela completou: "Desde o momento que aconteceu, a gente não teve mais paz de espírito. Mas a gente tem muita fé, estou firme aqui e, se Deus quiser, nós vamos enfrentar esse júri e espero que nós saiamos com vitória".
A irmã de Marco, Daniele Lengler Ribeiro, relembra o dia do crime como um momento de extrema violência. "Foi um dia fatídico para a nossa família, que tem lembranças que, infelizmente, a gente até tenta esquecer, mas é impossível." Ela descreve o sentimento de perda e a união da família para o julgamento: "É um pedaço meu que vai. Nós vamos estar lá unidos, juntos, pedindo que essa justiça, de fato, ocorra, que essa condenação ocorra, que acabe tudo isso".
Atuação da acusação e defesa
O advogado da família de Marco atuará como assistente de acusação. Em nota, ele afirma que exercerá a função "com técnica, respeito às garantias do processo penal e compromisso com a memória da vítima". Já a defesa de Claudir Pereira informou que atuará no plenário "com o objetivo de demonstrar ao conselho de sentença todos os elementos de prova produzidos durante o inquérito policial e a instrução processual".



