A intensificação dos ataques russos à infraestrutura energética da Ucrânia tem gerado uma crise humanitária grave, com muitas casas enfrentando falta de energia e aquecimento durante o inverno rigoroso. Diante dessa situação desesperadora, os ucranianos estão recorrendo a soluções criativas e improvisadas para sobreviver às temperaturas congelantes.
Vagões de trem transformados em refúgios aquecidos
Em Brovary, uma cidade localizada a aproximadamente vinte quilômetros da capital Kiev, vagões de trem desativados têm sido adaptados como pontos de apoio essenciais para os moradores. Esses vagões são aquecidos por geradores, oferecendo um alívio vital contra o frio intenso que assola a região.
Rotina de resistência no abrigo improvisado
A agência de notícias Reuters visitou o local e documentou o dia a dia desses refugiados do inverno. Cenas comoventes mostram crianças tendo aulas dentro dos vagões, uma mãe ajudando o filho com a lição de casa e idosos buscando calor para aliviar o desconforto. Mykhailo, um homem de sessenta e dois anos cujo filho é soldado ucraniano, relatou que a temperatura em seu apartamento estava em apenas cinco graus Celsius quando ele e sua esposa, Lidia, decidiram buscar abrigo.
Lidia expressou sua incredulidade e tristeza, afirmando: "Se alguém me dissesse que isso aconteceria na Ucrânia, eu jamais acreditaria. Ninguém quer essa guerra; queremos paz e bem-estar". Suas palavras refletem o desejo profundo por normalidade e segurança em meio ao conflito.
Acusações e negociações no cenário internacional
Enquanto isso, em nível político, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez duras acusações contra a Rússia. Nesta quinta-feira, vinte e dois de janeiro, ele declarou que a Rússia está tentando "congelar os ucranianos até a morte", destacando a gravidade dos ataques à infraestrutura.
Encontro entre Zelensky e Trump em Davos
Zelensky se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, para discutir possíveis caminhos para o fim da guerra. O encontro, que durou cerca de uma hora segundo a Casa Branca, foi descrito por Trump como "muito bom", com ele afirmando que "a guerra precisa acabar", sem fornecer detalhes adicionais.
Em um post na rede social X, Zelensky revelou que eles conversaram sobre o fornecimento de equipamentos de defesa aérea e o progresso nas negociações de paz. Ele mencionou que os documentos para encerrar o conflito com a Rússia estão quase prontos e que as garantias de segurança dos Estados Unidos para a Ucrânia foram concluídas, embora questões territoriais permaneçam em aberto.
Críticas à Europa e apelo por união
Zelensky também fez críticas aos aliados europeus, ecoando em parte as visões de Trump. Ele descreveu a Europa como "um caleidoscópio fragmentado de pequenas e médias potências" e enfatizou que apenas ações concretas podem criar uma ordem real. O presidente ucraniano argumentou que a Europa precisa da independência da Ucrânia para se defender no futuro, sublinhando a importância estratégica do país no cenário global.
Esta situação ilustra não apenas a luta diária dos civis ucranianos contra as adversidades do inverno e da guerra, mas também as complexas negociações diplomáticas que buscam uma solução duradoura para o conflito. A resiliência das famílias em Brovary, adaptando-se a condições extremas, serve como um testemunho poderoso da determinação humana em tempos de crise.