Rússia dobra conquista territorial na Ucrânia em janeiro, aponta análise
Rússia dobra território na Ucrânia em janeiro

Rússia intensifica ofensiva e dobra território conquistado na Ucrânia em janeiro

Uma análise recente baseada em dados de think tanks americanos revelou que a Rússia acelerou significativamente sua ofensiva na Ucrânia durante o mês de janeiro, capturando o dobro do território em comparação com dezembro de 2025. Este avanço representa um dos mais expressivos registrados em um mês de inverno desde o início da invasão total em 2022, destacando a intensificação do conflito em pleno período frio.

Dados territoriais e avanços estratégicos

Segundo a agência de notícias AFP, que utilizou informações do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) e do Critical Threats Project, as forças russas conquistaram 481 quilômetros quadrados em janeiro, contra 244 km² no mês anterior. Esse aumento substancial ocorreu principalmente em regiões-chave como:

  • Dnipropetrovsk, no centro-leste, onde as tropas russas já haviam penetrado no verão de 2025.
  • Zaporizhzhia, no sul, onde agora estão a menos de 30 quilômetros da capital regional, aumentando a pressão sobre áreas estratégicas.

No Donbas, região industrial reivindicada pela Rússia, o controle russo se expandiu, abrangendo quase toda a área de Luhansk e 83% do território de Donetsk. Atualmente, a Rússia ocupa aproximadamente 19,5% da superfície ucraniana, com um terço desse território já sob influência russa ou pró-russa desde 2014.

Negociações complexas e perdas humanas

Paralelamente aos avanços militares, as negociações para um possível fim da guerra continuam em um cenário complexo. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou que uma nova rodada de conversas ocorrerá na próxima quarta e quinta-feira, após encontros anteriores em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que incluíram representantes da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos. Zelensky destacou que a questão territorial permanece como o principal ponto de discórdia nessas discussões.

Enquanto isso, um relatório distinto do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) divulgado na semana passada apontou para um custo humano alarmante. Cerca de 1,2 milhão de soldados russos foram mortos, feridos ou estão desaparecidos desde o início da guerra, um número que, segundo a análise, é o maior em conflitos desde a Segunda Guerra Mundial. As perdas ucranianas são estimadas entre 500 e 600 mil, sob os mesmos critérios, evidenciando a gravidade e a escala do conflito que já dura anos.

Esses desenvolvimentos sublinham a dinâmica volátil da guerra, com avanços territoriais significativos por parte da Rússia coincidindo com esforços diplomáticos frágeis e um impacto humano devastador, moldando o futuro incerto da região.