Rússia intensifica bombardeios na Ucrânia durante negociações de paz sem avanços
Rússia ataca Ucrânia enquanto negocia paz

Rússia intensifica bombardeios na Ucrânia durante negociações de paz sem avanços

O segundo dia de negociações entre representantes da Rússia, dos Estados Unidos e da Ucrânia terminou sem qualquer progresso concreto em direção à paz. Enquanto as delegações se reuniam nos Emirados Árabes Unidos, a Rússia desencadeou um bombardeio pesado contra áreas residenciais e infraestruturas críticas nas duas maiores cidades da Ucrânia, Kiev e Kharkiv.

Ataque massivo em meio ao frio extremo

Segundo a força aérea ucraniana, a Rússia utilizou mais de 20 mísseis e aproximadamente 400 drones nos ataques recentes. As temperaturas na Ucrânia estão bem abaixo de zero, agravando a situação humanitária. O governo ucraniano estima que cerca de 1,2 milhão de moradores estão sem aquecimento, incluindo 800 mil apenas na capital Kiev.

Em Kiev, os bombardeios resultaram em uma morte e 31 feridos. Imagens que chegam da região mostram bombeiros combatendo chamas na neve, em um cenário de destruição. O prefeito Vitali Klitschko anunciou que abrigos aquecidos estão sendo instalados em escolas e outros locais públicos para oferecer refúgio à população durante a noite. "Precisamos nos manter firmes", declarou Klitschko, enfatizando a resiliência da cidade.

Kharkiv, alvo frequente e vulnerável

Em Kharkiv, a segunda maior cidade do país e localizada a menos de 30 quilômetros da fronteira russa, os ataques atingiram prédios residenciais, um abrigo para pessoas deslocadas e uma maternidade. Relatos descrevem cenas emocionantes, com pais abraçando filhos e animais domésticos recebendo colo em meio ao caos. Kharkiv tem sido um alvo frequente de Moscou desde o início da guerra, quase quatro anos atrás, e o mais recente bombardeio reforça sua vulnerabilidade.

Negociações estagnadas e acusações

As negociações, que ocorreram nos últimos dois dias, buscaram encontrar uma solução para o conflito prolongado, mas a questão territorial permanece como o maior obstáculo. A Rússia exige que a Ucrânia entregue uma extensa área no leste do país, uma proposta que Kiev rejeita categoricamente. Uma autoridade americana indicou que outra rodada de discussões está marcada para o próximo domingo.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou as conversas como "construtivas", mas Kiev não poupou críticas ao líder russo. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia acusou o presidente russo de ordenar cinicamente um ataque pesado enquanto as negociações estavam em andamento. Em um comunicado contundente, o ministro afirmou que o ataque prova, mais uma vez, que o lugar do líder russo não é na mesa do Conselho de Paz, para a qual foi convidado, e sim no banco de réus de um tribunal internacional.

Este episódio destaca a complexidade e a violência contínua do conflito, onde ações militares agressivas se sobrepõem a esforços diplomáticos, deixando a população civil em uma situação cada vez mais desesperadora.