O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou neste domingo (1º) que uma nova rodada de negociações de paz entre delegações da Rússia e da Ucrânia está agendada para os dias 4 e 5 de fevereiro, em Abu Dhabi. A informação foi divulgada através de uma publicação no Telegram, onde Zelensky expressou o compromisso do país com diálogos substantivos.
Contexto das negociações e posicionamentos
Segundo o líder ucraniano, as datas foram definidas após um relatório da equipe de negociação, que participou de encontros anteriores na semana passada, também em Abu Dhabi, sem resultar em acordos concretos. "A Ucrânia está pronta para negociações substantivas e estamos interessados em um resultado que nos aproxime de um fim real e digno da guerra", afirmou Zelensky.
Autoridades dos Estados Unidos e da Rússia ainda não se pronunciaram sobre o anúncio. No sábado (31), o principal enviado russo, Kirill Dmitriev, mencionou uma "reunião construtiva com a delegação de pacificação dos EUA" na Flórida, mas detalhes sobre as conversas em Abu Dhabi permanecem escassos.
Divergências profundas e esforços de mediação
As negociações fazem parte de uma iniciativa do governo de Donald Trump para buscar um acordo de paz e encerrar quase quatro anos de conflito em larga escala. No entanto, Moscou e Kiev apresentam visões opostas sobre os termos de um possível acordo:
- Controle territorial: A Rússia defende a manutenção das áreas ocupadas, como a região do Donbas, enquanto a Ucrânia exige a retirada das forças russas.
- Expansão territorial: Há disputas sobre se a Rússia deveria obter territórios ainda não conquistados.
Embora ambas as partes tenham concordado, em princípio, com os apelos de Washington por um compromisso, as divergências dificultam um avanço significativo.
Ataques com drones e violência contínua
Enquanto as negociações são planejadas, a violência no terreno persiste. Neste domingo, drones de ataque russos atingiram uma maternidade no sul da Ucrânia, especificamente na cidade de Zaporizhzhia. O serviço de emergência ucraniano relatou que o ataque feriu mulheres no hospital e provocou um incêndio na área de recepção da ginecologia, já controlado.
O chefe da administração regional, Ivan Fedorov, confirmou que seis pessoas ficaram feridas no incidente. Este ataque ocorre dias após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o presidente russo, Vladimir Putin, havia concordado em interromper temporariamente ataques à capital ucraniana e outras cidades, devido às temperaturas congelantes que afetam a região.
Suspenção de ataques e avaliação independente
O Kremlin confirmou na sexta-feira que suspendeu ataques a Kiev até domingo, mas se recusou a fornecer detalhes, o que dificulta uma verificação independente sobre a efetividade do gesto. Na última semana, a Rússia conduziu ofensivas em várias frentes:
- Ataques a instalações de energia em Odessa, no sul.
- Ofensivas em Kharkiv, no nordeste.
- Ataques na região de Kiev na quarta-feira, resultando em duas mortes e quatro feridos.
Esses eventos destacam a complexidade do cenário, onde esforços diplomáticos convivem com ações militares contínuas, aumentando a urgência por uma solução pacífica que possa trazer alívio à população afetada.