Um novo ataque russo contra a Ucrânia, na madrugada desta terça-feira (13), utilizou mísseis hipersônicos e resultou em quatro mortos e seis feridos na cidade de Kharkiv. A ofensiva, que também atingiu Odessa e Kryvyi Rih, ocorre enquanto um brasileiro natural do Amapá compartilha sua experiência de 23 dias em missões de combate na linha de frente do conflito, considerado o mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Trajetória militar: do Amapá à guerra na Ucrânia
O sargento Anthonny Kellsons Nascimento da Silva, conhecido como “Nascimento” ou “Thony”, deixou o estado do Amapá para se voluntariar na guerra. Nascido no Rio de Janeiro e criado em Macapá, ele desembarcou na Ucrânia em julho de 2025. Após cerca de dois meses de treinamento intensivo, foi integrado à Advanced Company Group, uma tropa de elite vinculada ao serviço de inteligência ucraniano (GUR) e formada por combatentes estrangeiros.
“Nos últimos meses participei de missões reais com a equipe Delta, incluindo infiltração, resgate e sabotagem”, relatou o militar. “Passei 23 dias no fronte e vivi uma guerra diferente de todas, adquirindo experiência de combate em vários aspectos. Nossa tropa é conhecida por missões complexas e importantes. Hoje me sinto realizado profissionalmente”.
Rotina de treino e missões perigosas
Fora da linha de frente, a rotina é marcada por preparação constante. “Quem não está no fronte treina todos os dias. Depois, o preparo é direcionado para a missão específica”, explicou Nascimento. Ele relembrou uma operação de alto risco em que sua equipe precisou resgatar um colega ferido durante um bombardeio, sob a ameaça de drones de artilharia. A tropa em que atua é comandada por outro brasileiro, Leanderson Paulino.
A carreira militar de Thony começou em 2014, no Batalhão de Infantaria no Amapá. Após passar por cursos e promoções, ele tentou ingressar na Legião Estrangeira francesa em 2023, mas não foi selecionado. Foi durante uma temporada em Portugal que recebeu um convite de um amigo para lutar na Ucrânia, decisão que tomou e concretizou.
Ofensiva russa com mísseis hipersônicos
Enquanto Nascimento e seus companheiros atuam em outras frentes, a guerra segue com intensidade. O ataque mais recente da Rússia, que incluiu o uso de mísseis hipersônicos, foi particularmente destrutivo. Canais ucranianos de monitoramento no Telegram relataram que cerca de 20 mísseis balísticos foram lançados em aproximadamente uma hora durante a madrugada.
Além das vítimas em Kharkiv, a ofensiva atingiu a cidade portuária de Odessa, ferindo cinco pessoas, e Kryvyi Rih, onde outros dois civis se feriram. A rede elétrica do país também foi afetada, causando cortes de energia emergenciais na capital Kiev, conforme informou a operadora Ukrenergo.
O conflito, que começou com a invasão russa em fevereiro de 2022, não mostra sinais de trégua. Nas últimas semanas, as forças russas avançaram sobre cidades no sul da Ucrânia, enquanto líderes internacionais discutem o envio de tropas e garantias de segurança em tentativas frustradas de alcançar um acordo de paz.