Perfil falso de pesquisadora da polilaminina viraliza no Instagram e é desmentido pela UFRJ
Perfil falso de pesquisadora da polilaminina é desmentido

Perfil falso de pesquisadora da polilaminina viraliza no Instagram e é desmentido pela UFRJ

Um perfil fraudulento no Instagram, utilizando o nome e a imagem da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi identificado como falso após verificação do projeto Fato ou Fake. A conta, criada em fevereiro de 2026 e com cerca de 29 mil seguidores até o último sábado (21), se fazia passar pela cientista que lidera estudos sobre a polilaminina, substância em investigação para recuperação de movimentos em pacientes com lesão medular aguda.

Como a falsificação foi descoberta

Leitores enviaram a sugestão de checagem através do WhatsApp do Fato ou Fake. A equipe então encaminhou o link do perfil "@dra.tatianasampaiooficial" para a assessoria de imprensa da UFRJ, que respondeu por e-mail afirmando categoricamente: "A professora Tatiana Sampaio não possui conta no Instagram, conforme a mesma nos informou". O perfil continha dez publicações associadas à atividade da pesquisadora, aproveitando-se do momento em que a polilaminina se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.

O contexto da polilaminina e a cautela científica

A polilaminina é um composto recriado em laboratório a partir da laminina, proteína fundamental no desenvolvimento embrionário humano. A pesquisa liderada por Tatiana Sampaio foca no tratamento de lesões medulares agudas, com resultados promissores em animais e em um pequeno grupo de oito pacientes, embora nem todos tenham tido recuperação completa. A substância recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para estudos mais amplos, mas ainda está em fase de investigação.

Em entrevista, a bióloga destacou: "Ainda não é um feito, é uma promessa de tratamento. No dia em que ele estiver registrado, as pessoas usarem e todas elas recuperarem a função, se todo mundo voltar a andar, aí, sim, fizemos uma revolução". A cautela se justifica porque os resultados preliminares ainda não passaram pela revisão por pares, etapa crucial para validação científica, e o tamanho reduzido da amostra dificulta conclusões definitivas.

Repercussão social e judicial

A viralização do tema mobilizou pacientes e familiares, levando dezenas a acionarem a Justiça para acesso à polilaminina através do uso compassivo, permitido por resolução brasileira para medicamentos em análise. Como a substância precisa ser aplicada em até 72 horas após a lesão, as decisões judiciais têm exigido celeridade. É importante ressaltar que não há evidência científica de que a polilaminina funcione para lesões medulares crônicas, aspecto não pesquisado nesta fase.

O caso do perfil falso ilustra como informações sensíveis sobre saúde podem ser distorcidas nas redes sociais, exigindo verificação cuidadosa por parte do público. A pesquisadora e a UFRJ mantêm o compromisso com a transparência e o rigor metodológico no avanço dos estudos sobre a polilaminina.