Governo desmente fake news sobre 'bolsa muçulmano' de R$ 7 mil para refugiados
Governo desmente fake news sobre 'bolsa muçulmano' de R$ 7 mil

Governo federal desmente fake news sobre suposta 'bolsa muçulmano' de R$ 7 mil mensais

Circula nas redes sociais uma publicação enganosa que alega que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria concedendo uma "bolsa" de R$ 7 mil por mês e moradia gratuita para refugiados muçulmanos no Brasil. A informação, que já foi visualizada mais de 115 mil vezes na plataforma X (antigo Twitter), é completamente falsa e foi desmentida oficialmente pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

Conteúdo da publicação enganosa

A postagem viral, publicada na segunda-feira (30), apresenta um vídeo do presidente Lula conversando com um homem em cadeira de rodas em frente a um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Sobre as imagens, há uma caixa de texto afirmando: "Presidente do Brasil recebendo muçulmanos que pediram refúgio! Irão receber R$ 7 mil por mês por 6 meses pela Operação Acolhida".

Na legenda, o autor questiona: "Gostaram do que Lula está fazendo trazendo muçulmanos (Palestina, etc.) para receberem 7 mil reais por mês #bolsamuculmano com a desculpa que o brasileiro não quer trabalhar?". Um homem aparece comentando as imagens, reforçando a narrativa falsa sobre a suposta chegada de muçulmanos ao Brasil com benefícios financeiros.

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Esclarecimento oficial do governo

O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) informou categoricamente ao projeto de checagem Fato ou Fake que não existe qualquer programa governamental que ofereça pagamento mensal de R$ 7 mil ou garantia de moradia gratuita para pessoas refugiadas com base em sua religião ou nacionalidade.

Em nota oficial, o ministério esclareceu: "Esclarecemos que não há, no Brasil, qualquer operação específica voltada à recepção de pessoas com base em religião. Informamos ainda que não há, por parte do Governo Federal, programa que ofereça pagamento mensal de R$ 7 mil ou garantia de moradia gratuita para pessoas refugiadas com base em sua religião ou nacionalidade".

O órgão destacou ainda que as políticas públicas voltadas a migrantes e refugiados no Brasil seguem critérios legais e humanitários, assegurando acesso a serviços públicos e oportunidades de integração, sem concessão de benefícios financeiros dessa natureza.

Origem real do vídeo

Ao contrário do que afirma a publicação falsa, o vídeo mostra uma operação completamente diferente. Através de busca reversa de imagem, foi possível identificar que as imagens foram originalmente publicadas pelo canal "AJ+", vinculado à rede Al Jazeera, em 9 de outubro de 2024.

O registro mostra o presidente Lula e a primeira-dama Janja da Silva recebendo brasileiros repatriados do Líbano - e não muçulmanos refugiados. A operação ocorreu no contexto da guerra entre Israel e Hezbollah, como parte da Operação Raízes do Cedro, que trouxe cidadãos brasileiros de volta ao país.

Confusão com a Operação Acolhida

A publicação falsa menciona erroneamente a "Operação Acolhida", mas o MDS esclareceu que este programa tem foco exclusivo na crise envolvendo imigrantes da Venezuela. "A Operação Acolhida foi criada para organizar a resposta do Estado brasileiro ao fluxo migratório na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, no estado de Roraima", explicou o ministério.

Desde 2016, a região vem recebendo um volume crescente de venezuelanos em situação de vulnerabilidade, demandando uma atuação emergencial e intersetorial do governo brasileiro. A iniciativa constitui uma estratégia federal de assistência humanitária a refugiados e imigrantes venezuelanos, sem qualquer relação com supostos resgates de muçulmanos.

Combate à desinformação

Este caso exemplifica como conteúdos falsos se espalham rapidamente nas redes sociais, utilizando imagens reais fora de contexto para criar narrativas enganosas. O MDS confirmou que as imagens mencionadas na postagem referem-se a uma operação realizada em 2024, não correspondendo a ações atuais do governo federal.

É importante que os cidadãos verifiquem informações antes de compartilhá-las, especialmente quando envolvem alegações sobre políticas públicas e gastos governamentais. A desinformação prejudica o debate público e pode criar tensões sociais desnecessárias.

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