Golpe na internet usa entrevista falsa de Vorcaro com Bonner para aplicar fraudes financeiras
Circula nas redes sociais um site fraudulento que simula uma entrevista entre Daniel Vorcaro e William Bonner, com o objetivo de aplicar golpes financeiros. O material, que promete ganhos exorbitantes através de uma plataforma chamada Potencial Infinito App, é completamente falso e já foi desmentido pelo projeto Fato ou Fake.
Como funciona a fraude
Anúncios no Facebook e Instagram direcionam os usuários para uma página que imita o portal UOL, exibindo uma suposta entrevista com o título: "'Não fui preso por roubar. Fui preso por compartilhar' — foi o que Vorcaro disse durante a entrevista com o jornalista William Bonner". O subtítulo afirma: "A visita exclusiva de Bonner a Vorcaro em prisão domiciliar terminou com uma revelação que abalou o sistema financeiro brasileiro".
Essa entrevista nunca ocorreu. A própria data da publicação — 18 de março de 2026 — já indica um erro factual, pois na época Vorcaro estava preso na Penitenciária Federal de Brasília. As fotos que mostrariam o encontro entre Bonner, Vorcaro e um advogado foram geradas por inteligência artificial, conforme análise técnica.
Mecanismo do golpe
O texto falso atribui a Vorcaro uma declaração sugerindo que o uso da Potencial Infinito App explicaria a alta rentabilidade dos produtos do banco Master. Trechos como "Mais de 47 mil brasileiros já utilizam Potencial Infinito App e ganham sem esforço entre R$ 14,9 mil e R$ 30,5 mil por mês" contêm hiperlinks que levam a um site de cadastro.
Na página fraudulenta, são solicitados dados pessoais — nome, e-mail e telefone — e há um botão com a mensagem "junte-se agora", artifício típico de golpes que criam urgência. Posteriormente, a vítima é induzida a fazer um pagamento de R$ 600 via cartão de crédito ou PIX, sem revelar o destinatário final do dinheiro.
Análise técnica confirma falsificação
O Fato ou Fake submeteu as imagens da página ao Sightengine, ferramenta que detecta conteúdos gerados ou manipulados por IA. O resultado indicou 99% de probabilidade de as fotos terem sido criadas artificialmente. Além disso, a direção do UOL confirmou que "o UOL nunca publicou esse conteúdo".
A Meta, controladora do Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp, foi procurada, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem. Este é um golpe clássico impulsionado por anúncios em redes sociais, seguindo um padrão já identificado em outras fraudes semelhantes.
Outros casos semelhantes
O Fato ou Fake já desmentiu diversos conteúdos fraudulentos que usam personalidades públicas para aplicar golpes, incluindo:
- Publicação falsa que dizia que Eliana recomendava plataforma de investimento
- Página que imitava a globo.com e afirmava que Luiza Trajano recomendava plataforma de criptomoedas
- Conteúdo fake que sugeria que Fernando Haddad ensinava como ganhar dinheiro com criptomoedas
- Alegação falsa de que o Itaú Unibanco processou Ronaldo por fala sobre criptomoedas na TV
- Informação enganosa sobre acionista da Globo fazer recomendação de investimento
É fundamental que os usuários das redes sociais verifiquem a veracidade das informações antes de fornecer dados pessoais ou realizar pagamentos, especialmente quando envolvem promessas de ganhos financeiros rápidos e fáceis.



