É #FAKE que Brasil forneceu urânio ao Irã; desinformação ressurge em meio a tensões internacionais
Circulam novamente nas redes sociais posts falsos que sugerem que o Brasil teria vendido urânio ao Irã. As mensagens, que viralizaram nesta segunda-feira (2), reaparecem em um contexto de aumento das tensões no Oriente Médio, após o mais recente ataque direto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciado no sábado (28).
O conteúdo das mensagens falsas
Os posts compartilhados no X (antigo Twitter) continham alegações como: "Talvez tenha a ver com o Urânio, que dizem que o Brasil vendeu ao Irã..." e "Quem vendeu Urânio para o Irã e ajudou esse país a se armar e causou todas essas guerras?? Urânio enriquecido foi vendido de um país ocidental". Esta desinformação se espalha enquanto o presidente americano Donald Trump declarou que o objetivo principal seria destruir o programa nuclear iraniano, com acusações de que o Irã usaria o enriquecimento de urânio para fabricar armas nucleares.
Por que é falso?
O Fato ou Fake consultou novamente as autoridades competentes. Um porta-voz da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC) afirmou por e-mail: "Confirmo a declaração que fiz no ano passado sobre a mesma questão. Não consta no nosso banco de registros de contabilidade nuclear qualquer transferência de material nuclear do Brasil para o Irã".
O Ministério das Minas e Energia (MME) reiterou que a nota publicada em junho de 2025 continua válida, informando que:
- Não houve qualquer venda de urânio para o Irã
- Nenhuma empresa vinculada ao ministério tem relações com o país na exportação de urânio
- Toda a produção nacional é utilizada para atender às necessidades das usinas Angra 1 e 2, no Rio de Janeiro
O ministério destacou ainda que a comercialização de urânio é competência exclusiva do Estado, exigindo autorização prévia, e que o Brasil é signatário de tratados que impedem o fornecimento de material para fins não pacíficos.
Histórico de desmentidos
Em junho de 2025, após um enfrentamento militar anterior entre Israel e Irã, o Fato ou Fake já havia desmentido mensagens semelhantes. Na ocasião, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgou uma nota oficial intitulada "Brasil não vende urânio para uso bélico", esclarecendo que a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) nunca teve qualquer negócio com o Irã.
A INB, empresa pública e única autorizada a extrair e processar urânio no território nacional, realizou no passado apenas uma venda de urânio para a Argentina, com finalidade exclusivamente voltada à geração de energia elétrica, operação conduzida dentro dos marcos legais e autorizada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
Questionado especificamente se o Brasil já vendeu urânio ao Irã para fins pacíficos, o órgão respondeu categoricamente: "Nunca houve qualquer venda de urânio para o Irã".
A Secom, novamente procurada nesta segunda-feira, não havia respondido até a última atualização desta checagem, mas as declarações anteriores permanecem totalmente válidas e contundentes contra as alegações falsas que continuam a circular.
