Operação no Acre apreende caminhonete usada em desvio de remédios da saúde pública
Polícia apreende caminhonete usada em desvio de remédios no AC

A Polícia Civil do Acre deu mais um passo significativo na investigação de um suposto esquema de desvio de medicamentos e insumos hospitalares da rede pública estadual. Neste sábado (10), em uma nova fase da operação, foi apreendida uma caminhonete suspeita de ser utilizada no transporte das cargas ilegais.

Nova apreensão no bairro Chico Mendes

Os policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão em uma residência localizada no bairro Chico Mendes, em Rio Branco. Além do veículo, também foram apreendidos celulares. Segundo as investigações, a caminhonete pertence a uma pessoa que presta serviços à Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre). A polícia ainda não informou publicamente se se trata de um servidor público estatutário ou de um trabalhador terceirizado.

O delegado Igor Brito, que coordena as investigações, foi contatado pela reportagem, mas ainda não se pronunciou. A Sesacre, por sua vez, emitiu uma nota afirmando que acompanha e colabora integralmente com as ações da Polícia Civil, fornecendo todas as informações solicitadas.

Esquema milionário e farmácia clandestina

A investigação, que já se estende por aproximadamente dois meses, aponta que o esquema de desvios teve início no começo de 2023. A descoberta do caso ganhou força na última segunda-feira (5), quando um idoso de 74 anos foi preso em uma casa no Beco da Glória, na região da Baixada da Sobral.

No local, que funcionava como uma verdadeira farmácia clandestina e armazém, foram encontradas diversas caixas de remédios de alto valor, incluindo medicamentos para tratamento de câncer, para hemodiálise, controlados, além de gazes, luvas, fraldas descartáveis e outros insumos hospitalares.

O valor total dos produtos apreendidos nessa ação é estimado pela polícia em mais de R$ 1 milhão. O idoso, considerado o receptador da mercadoria, foi preso e, após audiência, liberado para responder ao processo em liberdade com o uso de tornozeleira eletrônica. Na ocasião, também foram apreendidos mais de R$ 20 mil em espécie, dólares, outras moedas estrangeiras e morfina.

Rede de envolvidos e impacto no atendimento

As investigações agora buscam mapear a extensão da rede criminosa. Há fortes indícios de participação de servidores públicos no esquema, que teriam facilitado o desvio dos produtos de unidades como o Pronto-Socorro, a Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Na quarta-feira (7), um servidor público foi conduzido à delegacia para prestar depoimento durante o cumprimento de mandados. A polícia confirmou que foram encontradas provas relacionadas ao desvio em seu telefone celular.

O secretário estadual de Saúde, Pedro Pascoal, destacou que os desvios tiveram um impacto direto e negativo no atendimento à população. "O Estado se planejava para fazer aquela aquisição, aquela quantidade específica de medicamento e nunca era suficiente", afirmou durante entrevista coletiva, explicando que essa inconsistência foi um dos fatores que alertou a administração.

Próximos passos das investigações

A polícia informou que os materiais apreendidos na caminhonete e os celulares serão submetidos à perícia técnica para buscar mais indícios que possam levar a outros envolvidos. Os investigadores também trabalham para identificar o destino final dos medicamentos desviados, se eram comercializados e quem seriam os compradores.

Outra frente de apuração tenta verificar se o esquema se estendeu a unidades de saúde do interior do estado, envolvendo possivelmente prefeituras municipais. "É uma investigação que é um pouco complexa, por todas essas variáveis", complementou o delegado geral José Henrique Maciel.

Com a continuidade das diligências, a expectativa é que novas fases da operação sejam deflagradas para desmantelar completamente a rede responsável por desviar recursos essenciais da saúde pública acreana.