O senador Flávio Bolsonaro, candidato presidencial do Partido Liberal (PL), está há uma semana tentando esclarecer o recebimento de milhões de dólares do antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras bilionárias. Nesta terça-feira, 19 de maio, em Brasília, ele se reuniu com um grupo de parlamentares do partido para explicar a natureza de suas relações pessoais e comerciais com o ex-banqueiro.
Promessa de esclarecimentos
O candidato do PL prometeu apresentar ao partido, em até 30 dias, detalhes sobre a rota do dinheiro recebido de Vorcaro, equivalente a R$ 61 milhões — 45% do valor que cobrava do dono do Master, de R$ 134 milhões, antes da prisão. Segundo Flávio, os recursos foram usados para financiar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Uma produtora afirmou ao portal G1 que o Master pagou 90% do custo da cinebiografia.
Desconfiança entre aliados
Aparentemente, o candidato não conseguiu convencer a plateia de parlamentares. Predominou a desconfiança, pois a cada dia Flávio conta uma história diferente sobre suas obscuras transações financeiras com o grupo Master. Em dezembro, um mês após a prisão do ex-banqueiro, ele se anunciou candidato presidencial do PL, designado pelo pai, sem informar o partido ou aliados sobre suas relações com Vorcaro. Pelo contrário, negava qualquer relacionamento com o ex-banqueiro e o Banco Master.
Novas revelações
Na quarta-feira, 13 de maio, mensagens publicadas pelo The Intercept Brasil mostraram Flávio cobrando de Vorcaro o pagamento de R$ 134 milhões. Ontem, ele contou que se reuniu com o ex-banqueiro em dezembro, quando já era candidato à presidência. O encontro ocorreu na prisão domiciliar de Vorcaro, que usava tornozeleira eletrônica, para “um ponto final” nas transações milionárias, ainda mal explicadas.
Impacto na campanha
Flávio Bolsonaro havia projetado a reunião com parlamentares do PL como um ato de campanha para revigorar sua candidatura, abalada pelo escândalo Master. A estratégia deu errado, pois não convenceu a maioria dos participantes a se engajar em sua defesa. Os parlamentares, preocupados com a própria reeleição, não querem mais incertezas com o candidato presidencial, que a cada dia apresenta uma versão diferente sobre seu enredo financeiro com o ex-dono do Master. A questão central é a credibilidade, insumo básico nas relações políticas.



