CPMI do INSS descobre lavanderia com borracharia e funerária no esquema
CPMI do INSS recebe dados do Coaf sobre desvios bilionários

O ano de 2026 começa com desdobramentos importantes na investigação dos desvios bilionários no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura o caso recebeu, nesta semana, uma enxurrada de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que detalham o caminho do dinheiro desviado dos aposentados.

O rastro do dinheiro: de papelarias a funerárias

Os relatórios enviados pelo Coaf ao Congresso Nacional contêm as quebras de sigilo de diversas empresas envolvidas no escândalo. A lista de estabelecimentos que teriam sido usados para lavar o dinheiro roubado dos beneficiários da Previdência é variada e surpreendente. Entre os "beneficiários" do esquema, figuram desde uma simples papelaria e um restaurante até uma borracharia e, de forma mais inusitada, uma funerária.

As informações reforçam a complexidade da operação de lavagem de dinheiro montada pelos investigados. O objetivo era camuflar a origem ilícita dos recursos, provenientes de descontos ilegais aplicados nos benefícios de milhões de aposentados e pensionistas.

O mecanismo do esquema e a atuação da PF

O esquema criminoso, que vitimou milhões de brasileiros durante os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, foi desmontado pela Polícia Federal. As investigações revelaram que sindicatos de fachada pagavam propina a funcionários do INSS para obter acesso privilegiado aos cadastros dos aposentados.

Com essas informações em mãos, os criminosos conseguiam inserir no sistema da Previdência descontos ilegais nos pagamentos. O dinheiro subtraído era então direcionado para uma rede de empresas, muitas delas com atividades comuns, para dissimular o rastro e dar aparência de legalidade aos valores.

O trabalho da CPMI e as quebras de sigilo

Para desvendar toda a extensão da trama e identificar todos os envolvidos, a CPMI do INSS, que tem como relator o deputado Alfredo Gaspar, vem determinando a quebra de sigilos bancários, fiscais e telemáticos. A estratégia é "seguir o dinheiro" até seus destinatários finais.

O ex-presidente da autarquia, Alessandro Stefanutto, é uma das personalidades que já foram ouvidas no contexto das investigações. A profusão de dados agora recebida do Coaf deve acelerar os trabalhos da comissão e levar a novas quebras de sigilo e convocações.

Os relatórios entregues nesta semana representam uma peça fundamental para entender a arquitetura financeira do desvio. Eles mostram como o dinheiro público, destinado a idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade, era desviado e depois "reciclado" por meio de negócios aparentemente legítimos.

Com novas informações em mãos, a CPMI promete intensificar suas investigações. O cenário indica que 2026 será um ano de movimentação intensa na apuração de um dos maiores escândalos de corrupção envolvendo recursos da Previdência Social no país, com a expectativa de responsabilização dos envolvidos e o resgate de valores aos cofres públicos.