Polícia Federal encontra vídeo de mala com dinheiro vivo em celular de deputado preso
A Polícia Federal descobriu, durante a análise do aparelho celular do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), preso no dia 5 de maio na Operação Unha e Carne, um vídeo que exibe uma mala contendo R$ 500 mil em espécie. De acordo com as investigações, o montante teria sido entregue pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), com o objetivo de financiar campanhas de aliados no município de Campos dos Goytacazes, região que serve de base eleitoral para ambos os políticos.
Esquema de caixa 2 e distribuição de cargos
A investigação aponta para a prática de caixa 2, indicando que o valor em dinheiro vivo é apenas uma parte de um pagamento maior, estimado em R$ 2,9 milhões, conforme diálogos extraídos do telefone de Rangel. A informação foi divulgada pelo RJ2, da TV Globo. A filha do deputado, Thamires Rangel, que foi eleita vereadora antes de completar 18 anos, estaria entre os políticos beneficiados nas eleições de 2024. Aos 19 anos, ela ocupava o cargo de subsecretária estadual de Conscientização Ambiental, mas foi exonerada pelo desembargador Ricardo Couto, governador em exercício, um dia antes da operação que prendeu seu pai.
Liderança no esquema de corrupção
Segundo a PF, Thiago Rangel era o gestor de um dos braços de um esquema de corrupção envolvendo obras em escolas, liderado por Bacellar em todo o estado. Rangel comandava a corrupção na região Noroeste Fluminense. Um áudio de Luís Fernando Passos de Souza, apontado como operador financeiro de Rangel, menciona o acordo de R$ 2,9 milhões: “Então, ele não tem o porquê de correr do acordo dos R$ 2,9 milhões, entendeu? Então, chega pra ele, dentro de uma capacidade de comunicação plausível, e fala com ele: Rodrigo, a situação é essa”. Em outra conversa, Souza detalha o uso da estrutura estatal para fins eleitorais: “Mas um pessoal que você pulveriza dentro do próprio sistema de governo, dentro do Estado, dentro da Prefeitura, esse pessoal representa as lideranças, um de 50, outro de 30, outro de 100, outro de 200. São as pessoas que arrumaram os votos para você. Na hora da eleição a gente reforça. Mas levar tudo na grana, só se você tiver um movimento muito forte dentro do governo pra fazer isso na última hora”.
Envolvimento com tráfico e fraudes em postos
A PF afirma que Rangel indicava para cargos até pessoas ligadas ao traficante Arídio Machado da Silva Junior, conhecido como Júnior do Beco. Além disso, o deputado teria enriquecido por meio de bombas adulteradas em seus postos de combustíveis, gerando um lucro mensal de R$ 1,6 milhão com a fraude.
Defesas negam acusações
Thamires Rangel nega ter recebido qualquer valor de Bacellar para sua campanha. A defesa de Thiago Rangel reafirma sua inocência, afirmando que ele não possui operador financeiro nem recebeu repasses ilícitos de Bacellar ou de terceiros. Já a defesa do ex-presidente da Alerj declara que “não há voz ou o nome dele em nada” e que ele não tem conhecimento dos fatos mencionados, além de não ter sido alvo da operação.



