Explosões em Caracas: Venezuelanos em Curitiba vivem noite de apreensão
Venezuelanos em Curitiba temem por familiares após ataques

A madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026, foi marcada por tensão e medo para a comunidade venezuelana residente em Curitiba. Enquanto uma série de explosões atingia a capital da Venezuela, Caracas, familiares a milhares de quilômetros de distância, no Paraná, permaneciam acordados, acompanhando as notícias com o coração nas mãos.

Ataque de larga escala e a declaração de Trump

O ataque foi confirmado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, através de uma rede social. Em sua declaração, Trump afirmou que as forças americanas realizaram uma operação de larga escala contra a Venezuela e que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi capturado. A ação militar resultou em pelo menos sete explosões audíveis em Caracas, conforme reportado pela agência de notícias Associated Press. Os estrondos ocorreram em um intervalo de aproximadamente 30 minutos, criando um cenário de caos e incerteza.

O desespero da distância: venezuelanos em Curitiba

Em Curitiba, cidade que mais recebeu venezuelanos através da Operação Acolhida, a apreensão tomou conta. Entre abril de 2018 e novembro de 2025, a capital paranaense acolheu 8.930 migrantes por meio deste programa federal. Caroline Acosta, uma dessas migrantes que vive no Brasil há cerca de dois anos, relatou a angústia de acompanhar a situação à distância.

"Hoje meu coração vive sentimentos misturados", desabafou Caroline. "Há preocupação, angústia e silêncio pelas nossas famílias que estão na Venezuela, vivendo horas delicadas, em um momento onde as garantias parecem suspensas e a incerteza pesa no ar." Ela detalhou que a família de sua mãe está em Caracas, muito perto da área onde Maduro foi deposto. Para se informar, ela recorre a transmissões ao vivo de jornalistas venezuelanos nas redes sociais e a contatos diretos com parentes.

Forte Tiuna em chamas e a suspensão de garantias

Imagens que circularam mostram um grande incêndio no Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, após as explosões. Caroline confirmou que, segundo as informações que recebeu, as garantias constitucionais estão suspensas no país, embora as pessoas tentem manter a calma. "Há medo, sim, mas também depositamos nossas esperanças em Deus", afirmou ela, que passou a madrugada em claro, preocupada com a segurança dos seus.

"Desde a madrugada, as emoções estão à flor da pele", completou. "Pensamos nos mais vulneráveis, nos que estão ali, firmes no meio da tempestade, e oramos para que Deus os cubra com proteção e força." O relato de Caroline sintetiza o sentimento de milhares de venezuelanos que, tendo encontrado refúgio no Brasil, agora veem sua terra natal mergulhar em mais uma crise profunda, torcendo pela segurança de quem ficou para trás.