União Europeia classifica Guarda Revolucionária do Irã como terrorista após protestos mortais
UE inclui Guarda Revolucionária do Irã em lista terrorista

União Europeia classifica Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista

A União Europeia anunciou nesta quinta-feira (29) medidas duras contra o Irã, incluindo a inclusão da Guarda Revolucionária Islâmica na lista de organizações terroristas do bloco. A decisão foi comunicada pela chefe de diplomacia da UE, Kaja Kallas, em meio a tensões internacionais após uma onda de protestos no país que resultou em milhares de mortes.

Sanções e condenação à violência

Kallas afirmou que a União Europeia também aplicará sanções a indivíduos responsáveis por atos de violência contra manifestantes iranianos. "Estamos impondo novas sanções ao Irã e também prevejo que incluiremos a Guarda Revolucionária Islâmica em nossa lista de organizações terroristas", declarou a diplomata. Ela ressaltou, no entanto, a esperança de que essas medidas não prejudiquem os esforços diplomáticos com o governo iraniano.

Contexto dos protestos mortais

As ações da UE são uma resposta direta à repressão violenta dos protestos no Irã, que começaram há mais de vinte dias devido à crise econômica e ao alto custo de vida. Segundo a agência Reuters, os confrontos levaram à morte de aproximadamente cinco mil pessoas. Inicialmente focados em questões econômicas, os atos evoluíram para demandas pelo fim do regime dos aiatolás, que governa o Irã há mais de quatro décadas com leis repressivas, especialmente em relação às mulheres.

Reações internacionais e acusações

A situação gerou ampla condenação global, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçando atacar o Irã e reacendendo as tensões históricas entre as duas nações. O governo iraniano, por sua vez, nega responsabilidade pelas mortes, atribuindo-as aos próprios manifestantes e acusando os Estados Unidos de infiltração nos protestos. O líder supremo Ali Khamenei condenou os protestos publicamente, afirmando que as autoridades têm o dever de "quebrar as costas dos insurgentes" e culpando Trump pelas fatalidades ocorridas.

Em um discurso a apoiadores durante uma festividade religiosa, Khamenei declarou: "Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos (...) assim como não perdoaremos os criminosos internacionais, piores que os domésticos". Ele reforçou que a nação iraniana deve enfrentar a insurreição com firmeza, ecoando a postura dura do regime diante dos desafios internos.