Mudança no discurso de Trump sobre o Irã acirra tensão internacional
A mais recente postagem do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na rede social Truth Social, marcou uma mudança significativa no tom utilizado em relação ao regime iraniano. Até então, o republicano justificava possíveis ações militares no país como forma de conter a brutal repressão contra manifestantes que tomaram as ruas a partir de dezembro. No entanto, na quarta-feira, 28 de fevereiro, essa questão foi notavelmente omitida.
Pedido de negociação é acompanhado por ameaças explícitas
Em sua mensagem, Trump fez um apelo direto para que o Irã "sente-se à mesa" de negociações e busque um acordo nuclear justo e equitativo. O ex-presidente americano foi enfático ao afirmar que "o tempo está se esgotando" e lembrou da "Operação Marteo da Meia-Noite", realizada em junho do ano passado em parceria com Israel, que resultou no bombardeio de três instalações nucleares iranianas.
Trump advertiu que "o próximo ataque será muito pior" e destacou o deslocamento de uma "enorme armada" americana em direção ao Irã, liderada pelo porta-aviões Abraham Lincoln. Ele comparou essa movimentação com a ação recente na Venezuela que resultou na captura do ditador deposto Nicolás Maduro.
Contexto histórico do acordo nuclear
Vale ressaltar que em 2018, durante sua presidência, Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã que havia sido negociado por seu antecessor, Barack Obama, em 2015. Essa decisão fez com que o regime iraniano retomasse e acelerasse seu programa nuclear, criando uma das principais fontes de tensão entre os dois países.
O tom atual contrasta fortemente com discursos anteriores de Trump. Em 13 de janeiro, por exemplo, ele enviou uma mensagem direta aos opositores do regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei, incentivando-os a "continuarem protestando" e prometendo que "a ajuda está a caminho".
Resposta iraniana eleva o tom do confronto
Em resposta às declarações de Trump, autoridades iranianas devolveram as ameaças e reforçaram sua posição de embate. Ali Shamkhani, conselheiro sênior do líder supremo Ali Khamenei, postou na rede social X que qualquer ataque dos Estados Unidos será considerado o início de uma guerra.
"O Irã está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e nos interesses comuns, mas se pressionado, se defenderá e responderá como nunca antes", afirmou Shamkhani.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, também se manifestou, declarando que o país não negociará com Washington sob ameaças. "Conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil. Se eles querem que as negociações avancem, certamente precisam deixar de lado ameaças, exigências excessivas e a colocação de questões ilógicas", disse Araghchi ao comentar o deslocamento do porta-aviões Abraham Lincoln.
Análise da mudança de estratégia
Jornais internacionais como The New York Times e The Guardian destacaram essa mudança na justificativa declarada da Casa Branca para o envio de reforços militares à região. A pauta passou da indignação com a morte de manifestantes - que segundo ONGs de direitos humanos já soma mais de 6.159 mortos desde dezembro - para o destino do programa nuclear de Teerã.
Analistas apontam que Trump pode ter sido convencido por aliados no Oriente Médio, como Arábia Saudita e Israel, a não realizar um ataque direto ou adiar uma ação militar mais ampla contra o Irã. Essa mudança de foco ocorre em um momento particularmente delicado nas relações internacionais, com o programa nuclear iraniano representando uma das principais preocupações de segurança global.
A troca de ameaças entre Washington e Teerã cria um cenário de incerteza e tensão crescente, com ambos os lados demonstrando disposição para o confronto caso as negociações não avancem conforme suas expectativas. O desfecho dessa crise poderá ter implicações significativas não apenas para as relações bilaterais, mas para a estabilidade de toda a região do Oriente Médio.