Conflito entre EUA e Irã se intensifica sobre bloqueio no Estreito de Ormuz
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou publicamente o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de fazer sete declarações falsas em uma hora sobre a situação no Estreito de Ormuz. As afirmações foram feitas através de um post na rede social X nesta sexta-feira, onde Ghalibaf contestou veementemente as declarações de Trump sobre o conflito.
Troca de acusações e ameaças mútuas
Segundo o líder parlamentar iraniano, os Estados Unidos não vencerão a guerra com "essas mentiras" e tampouco terão sucesso nas negociações em curso. Ghalibaf foi ainda mais enfático ao afirmar que, se o bloqueio naval norte-americano continuar, o Estreito de Ormuz não permanecerá aberto para navegação.
Esta declaração reforça o posicionamento de outras autoridades iranianas que foram ouvidas pela agência de notícias Fars no mesmo dia. A postura do governo do Irã demonstra uma dura resistência às condições impostas pelos Estados Unidos no contexto das negociações de paz mediadas pelo Paquistão.
Posicionamento firme de Trump
Mais cedo, Donald Trump havia afirmado através de sua rede social Truth Social que o bloqueio militar norte-americano, em vigor na entrada do Estreito de Ormuz desde segunda-feira, continuaria mesmo após o Irã anunciar a reabertura total da rota marítima.
O ex-presidente americano foi categórico ao declarar que só retirará as tropas da região depois que as negociações com o Irã estiverem "100% concluídas", embora tenha afirmado simultaneamente que o estreito "está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego".
Em sua publicação, Trump escreveu: "O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada."
Reação iraniana às declarações
A agência de notícias iraniana reagiu com veemência ao posicionamento de Trump, classificando a decisão do americano como "chantagem" em um post no Telegram que incluía um print das declarações do ex-presidente.
Paralelamente, a agência estatal Fars, que possui ligações com a Guarda Revolucionária do Irã, descreveu o anúncio de reabertura do Estreito de Ormuz como incompleto e reafirmou que a passagem marítima será fechada caso o bloqueio dos Estados Unidos na região persista.
Importância estratégica do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz representa uma das principais vias marítimas para o comércio global de petróleo, sendo responsável pela circulação de aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo. A interrupção do transporte por este canal nas últimas semanas provocou uma disparada significativa nos preços da commodity nos mercados internacionais.
Desde o início do atual conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, o Irã fechou a passagem pelo Estreito de Ormuz, que constitui a única via de saída pelo mar do Golfo Pérsico, região que abriga grandes produtores de petróleo.
A via marítima, situada entre os territórios do Omã e do Irã, apresenta uma largura que não ultrapassa os 35 quilômetros em alguns trechos, característica que facilita o controle por parte dos dois países. O Irã detém a maior parte do território que margeia o estreito e, em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, ameaçou atacar qualquer navio que cruzasse a região.
Desenvolvimentos recentes e preocupações com segurança
Dados do site de monitoramento do transporte marítimo Kpler já indicavam que a circulação pelo estreito havia sido retomada, com três petroleiros iranianos deixando o Golfo do Irã transportando 5 milhões de barris de petróleo bruto. Estes representam os primeiros carregamentos desse tipo desde o bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos na segunda-feira.
Trump afirmou que os Estados Unidos "estão trabalhando com o Irã para retirar as minas navais", porém o próprio governo iraniano já havia declarado não saber ao certo a localização de todas elas. As autoridades iranianas recomendaram que os navios cruzassem o Estreito de Ormuz apenas nas rotas seguras indicadas pela Organização dos Portos do país.
A Marinha norte-americana também emitiu um comunicado aos navegantes da área alertando que a "ameaça representada por minas em partes do Estreito de Ormuz não é totalmente compreendida" e recomendou que os navios evitem a região.
Envolvimento internacional
No início desta sexta-feira, os líderes da França, Emmanuel Macron, e do Reino Unido, Keir Starmer, reuniram colegas de dezenas de outros países para debater planos para a reabertura do estreito, em um encontro que ocorreu sem a presença dos Estados Unidos.
A reabertura do Estreito de Ormuz constitui uma das principais reivindicações dos Estados Unidos nas negociações por um acordo de paz entre os dois países, que estão sendo mediadas pelo Paquistão. O impasse continua enquanto ambas as partes mantêm posições firmes sobre as condições para a normalização do tráfego marítimo na região estratégica.



