Trump pressiona Irã por acordo nuclear e Teerã responde com ameaça de guerra
Trump e Irã trocam ameaças sobre acordo nuclear e guerra

Trump pressiona Irã por acordo nuclear e Teerã devolve ameaça de guerra

As tensões entre Estados Unidos e Irã escalaram dramaticamente nesta semana, com trocas de ameaças públicas que colocam o cenário internacional em alerta máximo. O presidente americano, Donald Trump, exigiu um acordo nuclear com Teerã, enquanto autoridades iranianas responderam que qualquer ação militar será considerada o início de uma guerra.

Trump ameaça ataque militar ao Irã

Em um post na rede social Truth Social nesta quarta-feira (28), Donald Trump afirmou estar disposto a lançar uma operação militar contra o Irã caso o país não concorde em fechar um acordo nuclear com Washington. O presidente americano mencionou uma enorme armada dos EUA que está a caminho do Oriente Médio neste momento.

Trump relembrou a Operação Martelo da Meia-Noite, realizada em junho do ano passado em parceria com Israel, quando três instalações nucleares iranianas foram bombardeadas. O presidente alertou que um novo ataque será muito pior e que o tempo está se esgotando para negociações.

Esperamos que o Irã se sente à mesa de negociações o mais breve possível e chegue a um acordo justo e equitativo – sem armas nucleares, declarou Trump. O próximo ataque será muito pior! Não deixem isso acontecer novamente.

Irã responde com ameaça de guerra imediata

O governo iraniano respondeu com firmeza às ameaças de Trump. Ali Shamkhani, conselheiro sênior do líder supremo Ali Khamenei, publicou na rede social X que qualquer ataque dos Estados Unidos será considerado o início de uma guerra.

Um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar dos EUA, de qualquer origem e em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra, afirmou Shamkhani. Sua resposta será imediata, abrangente e sem precedentes, visando o agressor, o coração de Tel Aviv e todos os apoiadores do agressor.

A missão do Irã junto à ONU também se pronunciou, afirmando que o país está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo, mas não hesitará em se defender se for pressionado. O Irã está pronto para o diálogo, mas se pressionado, se defenderá e responderá como nunca antes.

Chanceler iraniano nega contatos e rejeita negociações sob ameaça

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, desmentiu afirmações de Trump de que Teerã teria buscado negociações recentemente. Em declarações transmitidas pela TV estatal, Araghchi afirmou que não houve nenhum contato com o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio nos últimos dias.

Conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil, disse o chanceler. Se eles querem que as negociações avancem, certamente precisam deixar de lado ameaças, exigências excessivas e a colocação de questões ilógicas.

Contexto das tensões e posição da Rússia

As ameaças ocorrem em um contexto de crescente pressão militar americana na região. No dia 23, uma autoridade iraniana disse estar se preparando para o pior cenário, incluindo uma guerra total, diante do envio de um porta-aviões dos EUA ao Oriente Médio.

A Rússia entrou no debate nesta quinta-feira (29), alertando que um ataque dos Estados Unidos ao Irã pode levar a consequências muito perigosas. O pronunciamento russo adiciona uma dimensão internacional às tensões, destacando os riscos de uma escalada militar na região.

As tensões recentes também estão ligadas aos protestos no Irã. No início do mês, Trump ameaçou o país devido à repressão violenta aos manifestantes, que segundo ativistas já matou pelo menos 6.159 pessoas. Embora as tensões tenham enfraquecido temporariamente após o Irã desistir de execuções planejadas, a retórica belicista retornou com força nesta semana.

Enquanto uma frota militar americana segue em direção ao Oriente Médio, o mundo observa com apreensão as trocas de ameaças que podem definir os rumos da segurança internacional nos próximos meses.