Trump afirma que 'praticamente tudo foi destruído no Irã' em meio a escalada bélica no Oriente Médio
Trump diz que 'praticamente tudo foi destruído no Irã' em guerra

Escalada bélica no Oriente Médio: Trump declara destruição no Irã e conflito sem data para acabar

O mundo observa com apreensão uma intensificação dramática do conflito no Oriente Médio, onde as declarações beligerantes dos líderes envolvidos apontam para uma guerra prolongada. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou qualquer possibilidade de diálogo com o Irã e anunciou uma nova onda de ataques, enquanto autoridades iranianas contra-atacam com ameaças de atingir centros econômicos da região e interromper o fluxo global de energia, especialmente através do fechamento do estratégico Estreito de Ormuz.

Ataques recíprocos marcam nova fase do conflito

Nesta terça-feira (3), os dois lados do conflito – Estados Unidos, com o apoio de Israel, e o Irã – lançaram ofensivas significativas. O Exército de Israel bombardeou o prédio da Assembleia dos Peritos do Irã, órgão responsável por escolher o próximo líder supremo do país. Segundo a imprensa israelense, todos os 88 aiatolás que compõem a assembleia estavam presentes no local no momento do ataque, embora ainda não se confirme se eles foram efetivamente atingidos.

Em retaliação, o Irã afirmou ter atacado o consulado dos Estados Unidos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Washington não confirmou se o prédio foi diretamente atingido, mas admitiu ter controlado um incêndio nas proximidades da representação diplomática. Este episódio representa mais um capítulo na série de ataques a instalações americanas na região.

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Declarações inflamadas de ambos os lados

Em entrevista à rede americana Fox News, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que "não vamos ter uma guerra sem fim", buscando acalmar os ânimos internacionais. Contudo, Donald Trump projetou um cenário de "quatro ou cinco semanas" de conflito intenso, acrescentando que os Estados Unidos estão preparados para sustentar os ataques por um período ainda maior se necessário.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump foi ainda mais contundente ao descrever a situação no Irã: "A defesa aérea, a Força Aérea, a Marinha e a liderança deles acabaram. Eles querem conversar. Eu disse: 'Tarde demais!'". O presidente americano reforçou essa posição após reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz, declarando que a ofensiva destruiu "praticamente tudo" e eliminou as lideranças que poderiam assumir o poder em Teerã.

Origens do conflito e balanço trágico

As hostilidades tiveram início após bombardeios coordenados dos Estados Unidos e de Israel em Teerã no último sábado (28), que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e de outras autoridades iranianas de alto escalão. Desde então, o Irã tem retaliado sistematicamente contra Israel e contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas.

O balanço humano já é significativo e preocupante. De acordo com informações do Crescente Vermelho, braço da Cruz Vermelha que atua na região, 787 pessoas morreram no Irã em decorrência dos conflitos. Do lado americano, pelo menos seis soldados perderam a vida nos embates.

Foco na sucessão iraniana e cerco a instalações dos EUA

O ataque israelense à Assembleia dos Peritos em Qom revela uma estratégia clara de mirar o processo de sucessão do poder no Irã. Desde a Revolução de 1979, quando os aiatolás tomaram o controle do país, um colégio de clérigos é responsável por escolher o líder supremo. A destruição desse órgão pode criar um vácuo de poder considerável em Teerã.

Paralelamente, o Irã tem ampliado seu cerco a edifícios e representações diplomáticas dos Estados Unidos no Oriente Médio. Além do consulado em Dubai, ataques com drones foram direcionados à embaixada americana em Riad, na Arábia Saudita, e ao consulado em Erbil, no Iraque. Em resposta, os Estados Unidos anunciaram o fechamento de sua embaixada em Amã, na Jordânia.

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O general Ebrahim Jabari, da Guarda Revolucionária iraniana, emitiu um alerta severo: "Dizemos ao inimigo que, se decidir atacar nossos principais centros, nós atacaremos todos os centros econômicos da região". Já o porta-voz do Ministério da Defesa do Irã, general Reza Talai-Nik, afirmou que o país ainda não utilizou seu armamento mais sofisticado e tem capacidade para resistir por mais tempo do que o previsto pelo inimigo.

Estreito de Ormuz: o epicentro da crise energética

Uma das jogadas mais arriscadas do Irã tem sido o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Essa passagem conecta os grandes produtores de petróleo do Golfo – como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos – ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, sendo responsável pelo transporte de aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado globalmente.

O regime iraniano prevê que, com o bloqueio, o preço do barril de petróleo possa saltar para US$ 200, utilizando a crise energética como uma poderosa arma de guerra. Em contrapartida, Donald Trump desafiou a medida ao anunciar que a Marinha americana começará a escoltar navios mercantes pelo estreito para assegurar o suprimento global de energia.

"Se necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível. Aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o livre fluxo de energia para o mundo", escreveu Trump em sua rede social.

Impactos econômicos e mobilização industrial

A escalada do conflito já reverbera nos mercados financeiros internacionais. O dólar fechou com alta de 1,91% frente ao real brasileiro, cotado a R$ 5,26, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores do Brasil, registrou queda expressiva de 3,46%, acompanhando a tendência de baixa nos mercados globais diante das incertezas geopolíticas.

Washington admitiu carência de armas de ponta, mas garante estoque ilimitado de mísseis de médio alcance para as próximas semanas de ofensiva intensa. O governo americano mobilizou sua indústria de Defesa para acelerar a fabricação de novos armamentos, demonstrando preparação para um conflito prolongado.

Além do suporte militar direto, Trump determinou que a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC) ofereça seguro contra risco político e garantias financeiras para todo o comércio marítimo que transite pelo Golfo, com ênfase especial no transporte de energia. Essa medida busca mitigar os impactos econômicos do bloqueio do Estreito de Ormuz e manter o fluxo comercial na região.

Enquanto o embaixador iraniano na ONU em Genebra, Ali Bahraini, demonstra ceticismo sobre possíveis diálogos – afirmando que "a única linguagem para dialogar com os Estados Unidos é a linguagem da defesa" –, o mundo assiste a uma crise que parece longe de uma resolução pacífica. Com ataques recíprocos, declarações inflamadas e a ameaça real de uma crise energética global, o conflito no Oriente Médio entra em uma fase perigosa e imprevisível, com consequências que podem se estender muito além das fronteiras regionais.