Trump desafia aliados a tomarem petróleo iraniano no Estreito de Ormuz e indica desfecho da guerra
O presidente americano, Donald Trump, fez uma declaração provocativa nesta terça-feira (31), afirmando que cabe a outros países buscar e tomar o petróleo que o Irã represou no estratégico Estreito de Ormuz. Através de suas redes sociais, o mandatário direcionou críticas a nações aliadas, como o Reino Unido e a França, enquanto sinalizava um possível encerramento do conflito sem a reabertura imediata desta crucial rota comercial marítima.
Provocação nas redes sociais e críticas a aliados
Em postagens públicas, Trump declarou: “A todos os países que não conseguem obter combustível de aviação por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã, tenho uma sugestão: comprem dos Estados Unidos. E criem coragem, dirijam-se ao Estreito, e tomem o petróleo. Vocês terão que começar a aprender a lutar por conta própria. Os Estados Unidos não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá por nós. A parte difícil já foi feita. Vão buscar o petróleo de vocês”.
Esta fala representa uma mudança de tom em relação ao início do conflito, quando Trump havia prometido que os Estados Unidos garantiriam o livre fluxo de energia para o mundo. Na segunda-feira (30), ele exigiu a reabertura imediata do estreito, mas agora parece transferir a responsabilidade para outras nações.
Tensões diplomáticas e sinalização de fim do conflito
Além do Reino Unido, Trump também criticou a França, acusando o país europeu de não permitir que aviões carregados de suprimentos militares para Israel sobrevoassem seu território. “A França tem sido muito pouco prestativa. Os Estados Unidos vão se lembrar”, advertiu o presidente americano.
Em entrevista ao New York Post, Trump afirmou que sua missão principal era impedir que o Irã desenvolvesse uma arma nuclear, sugerindo que o estreito “vai se abrir automaticamente” quando os Estados Unidos se retirarem. Pela primeira vez, ele sinalizou que pode encerrar a guerra sem garantir a reabertura da rota comercial, focando apenas no objetivo nuclear.
Respostas iranianas e incertezas militares
Enquanto isso, o Parlamento iraniano aprovou um projeto de lei que prevê a cobrança de pedágio para navios no Estreito de Ormuz. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que o país está preparado para um confronto terrestre, negando negociações diretas com os Estados Unidos, mas confirmando troca de mensagens com um enviado especial da Casa Branca.
Do lado americano, o secretário de Guerra não descartou uma ofensiva terrestre, declarando que existem “15 maneiras diferentes pelas quais poderíamos atacá-lo com tropas em terra”. Pete Hegseth, que visitou secretamente tropas americanas no Oriente Médio, afirmou que os próximos dias serão decisivos.
Contradições e cenário futuro
Na noite de terça-feira (31), no Salão Oval, Trump afirmou que não precisa de um acordo com o Irã para acabar com a guerra e que os Estados Unidos devem sair em duas ou três semanas. No entanto, ele também mencionou a necessidade de “acertar algumas pontas soltas”, referindo-se à destruição das capacidades ofensivas remanescentes do Irã.
Esta postura contraditória mantém a incerteza sobre os próximos passos, especialmente com o envio de milhares de soldados americanos ao Oriente Médio no fim de semana. Trump insiste que a guerra está se aproximando do fim, mas as declarações de autoridades militares e a preparação iraniana para um confronto terrestre sugerem que o desfecho ainda não está completamente definido.



