Trump ameaça 'inferno' ao Irã com linguagem ofensiva e dispara preço do petróleo
O preço referência do barril de petróleo Brent atingiu a marca de US$ 110 nesta segunda-feira, impulsionado pelas ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã durante o fim de semana. Inicialmente, o Brent subiu 1,6%, alcançando US$ 110,85, antes de recuar levemente durante as negociações matinais nos mercados asiáticos.
Ultimato agressivo e reações imediatas
O aumento ocorreu após Trump ameaçar atacar pontes e usinas de energia iranianas caso o país não interrompa os ataques contra navios que tentam cruzar o estratégico Estreito de Ormuz. Em uma postagem repleta de palavrões publicada no domingo em sua rede social Truth Social, o líder republicano mencionou ataques à infraestrutura civil e afirmou que o Irã "viverá no inferno" se a importante rota marítima não for aberta.
"Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo junto, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram o maldito Estreito, seus bastardos loucos, ou vocês viverão no inferno - AGUARDEM! Louvado seja Alá. Presidente DONALD J. TRUMP", escreveu Trump. Posteriormente, em uma nova publicação, ele especificou: "Terça-feira, 20h, horário do leste dos EUA!", o que corresponde às 3h30 da manhã de quarta-feira no horário de Teerã.
Impacto nos mercados e resposta iraniana
As principais bolsas de valores asiáticas registraram altas significativas nesta segunda-feira. O índice Nikkei 225 do Japão subiu 1,6%, enquanto o Kospi da Coreia do Sul teve alta de 0,9%. Do lado iraniano, as autoridades reagiram com desdém ao ultimato. O presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, classificou as ações de Trump como "imprudentes" e afirmou que estão "arrastando os EUA para um inferno na Terra".
O general Ali Abdollahi Aliabadi, do comando militar central do Irã, descreveu a ameaça como uma "ameaça desesperada, nervosa e estúpida", acrescentando que "os portões do inferno se abrirão" para o líder americano. O Irã continuou a disparar drones e mísseis contra Israel e seus aliados no Golfo ao longo do fim de semana, com incidentes relatados em Haifa, Abu Dhabi, Kuwait e Bahrein.
Histórico de prazos e importância do Estreito de Ormuz
Esta não é a primeira vez que Trump estabelece um ultimato a Teerã. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, ele já propôs diferentes prazos:
- 21 de março: Ameaçou atacar usinas de energia em 48 horas.
- 23 de março: Adiou os ataques por cinco dias após "conversas produtivas".
- 27 de março: Estendeu o prazo para 6 de abril a pedido do governo iraniano.
- 4 de abril: Emitiu um aviso de 48 horas antes de "desencadear o inferno".
- 5 de abril: Reiterou a ameaça com linguagem ofensiva nas redes sociais.
O Estreito de Ormuz é uma via crucial para o comércio global, por onde passa aproximadamente 20% do petróleo mundial e um terço dos fertilizantes. Seu bloqueio tem causado disparadas nos preços do barril e levantado preocupações sobre uma potencial alta da inflação mundial.
Críticas internacionais e escalada militar
A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard, criticou veementemente as ameaças de Trump, alertando que "os civis iranianos serão os primeiros a sofrer" com a destruição de infraestrutura essencial. "Sem eletricidade, aquecimento ou água; sem poder fugir dos ataques. Potencial para uma série de crimes de guerra em cascata", escreveu ela no X (antigo Twitter).
Enquanto isso, Israel segue atacando instalações civis iranianas, com um alvo petroquímico atingido no sábado. Ataques conjuntos de EUA e Israel também atingiram o Aeroporto Internacional Qasem Soleimani no domingo. Autoridades de defesa indicam que Israel aguarda aprovação dos EUA para intensificar os ataques a instalações de energia nesta semana.
A Casa Branca foi contactada pela BBC para esclarecimentos sobre as publicações de Trump, mas até o momento não houve uma resposta oficial detalhada. O governo americano já havia desconsiderado críticas anteriores de especialistas em direito internacional, afirmando que Trump está "tornando toda a região mais segura".



