Rússia estabelece condição para manutenção de limites nucleares após expiração de acordo histórico
O governo russo declarou nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, que continuará respeitando voluntariamente os limites estabelecidos pelo tratado nuclear Novo START, que expirou oficialmente no dia 5 de fevereiro, mas apenas sob uma condição fundamental: que os Estados Unidos adotem exatamente a mesma postura de contenção em seu arsenal estratégico.
Posicionamento diplomático em meio a tensões geopolíticas
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, fez o anúncio durante discurso na Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento russo, deixando claro que a moratória declarada pelo presidente Vladimir Putin permanece válida exclusivamente enquanto Washington não ultrapassar os limites anteriormente acordados. "Nossa posição é que essa moratória do nosso lado, que foi declarada pelo presidente, ainda está em vigor, mas apenas enquanto os Estados Unidos não excederem os referidos limites", afirmou Lavrov com precisão diplomática.
O ministro russo enfatizou ainda que Moscou deseja iniciar um "diálogo estratégico" com os Estados Unidos sobre a questão nuclear, prometendo atuar de forma "responsável" com base em uma análise cuidadosa da política militar americana. Esta declaração ocorre em um momento de crescente tensão entre as duas potências nucleares, que juntas detêm mais de 80% das ogivas atômicas existentes no planeta.
Divergências fundamentais entre Washington e Moscou
Do lado americano, o presidente Donald Trump rejeitou categoricamente a proposta de Putin para cumprir voluntariamente os limites do Novo START por mais um ano. O líder republicano afirmou preferir um acordo "melhor" e "modernizado" que inclua também a China em suas disposições, argumentando que o cenário geopolítico atual exige abordagens mais abrangentes.
Esta posição encontra resistência tanto em Moscou quanto em Pequim. A China, que vem expandindo e modernizando seu arsenal nuclear no ritmo mais acelerado do mundo, rejeita abertamente sua participação em qualquer acordo de limitação trilateral, mantendo-se distante dos números absolutos das duas superpotências nucleares tradicionais.
O legado do tratado Novo START e seus mecanismos
O Novo START, assinado originalmente em 2010, representou o último capítulo de uma série de acordos criados para conter a escalada nuclear herdada diretamente da Guerra Fria. Entre suas disposições mais importantes estavam:
- Limite de 1.550 ogivas nucleares estratégicas instaladas para cada país
- Restrição a 700 lançadores de mísseis balísticos intercontinentais
- Inspeções presenciais regulares entre as partes
- Troca sistemática de dados sobre os arsenais
- Mecanismos robustos de verificação mútua
Estes instrumentos buscavam garantir previsibilidade nas relações bilaterais e reduzir significativamente o risco de erros de cálculo perigosos entre as duas maiores potências nucleares do planeta. O acordo foi prorrogado em 2021, no início do governo de Joe Biden, mas conforme suas próprias regras constitutivas, não poderia ser estendido novamente após esse período.
Panorama atual dos arsenais nucleares globais
Estimativas recentes indicam que a Rússia possui atualmente cerca de 5.459 ogivas nucleares, enquanto os Estados Unidos mantêm aproximadamente 5.177 unidades. Estes números são dramaticamente superiores aos de qualquer outro país com capacidade nuclear, incluindo a China que, apesar de seu acelerado programa de modernização, permanece em patamar consideravelmente inferior em termos absolutos.
A expiração definitiva do Novo START sem um acordo sucessor imediato tem gerado preocupações genuínas entre especialistas em segurança internacional sobre a possibilidade de uma nova corrida armamentista nuclear envolvendo não apenas Rússia e Estados Unidos, mas também a China em seu papel de potência ascendente. O vácuo regulatório criado pela ausência do tratado representa um desafio significativo para a estabilidade estratégica global.
Em setembro do ano passado, Putin já havia sinalizado disposição para continuar respeitando os tetos do tratado por mais um ano, desde que os Estados Unidos assumissem compromisso idêntico. Na época, Trump chegou a classificar a proposta como "uma boa ideia", mas seu governo não avançou nas negociações necessárias para concretizar essa possibilidade, preferindo manter a exigência de inclusão chinesa em qualquer novo acordo.



