O relógio que marcava o tempo de espera pela libertação dos reféns israelenses foi finalmente desligado na Praça dos Reféns, em Tel Aviv, nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026. Após impressionantes 844 dias em funcionamento contínuo, o painel digital com números vermelhos que contabilizava minuto a minuto o cativeiro foi silenciado, simbolizando o encerramento de um capítulo doloroso para o país.
O Fim de um Símbolo e a Recuperação do Último Refém
A decisão de desligar o relógio ocorreu um dia após o anúncio oficial da recuperação do corpo de Ran Gvili, de 24 anos, o último refém ainda mantido na Faixa de Gaza. Gvili, que era policial, foi morto durante o ataque do Hamas ao kibutz Alumim, no sul de Israel, em outubro de 2023. Sua devolução completa o compromisso central da primeira fase do cessar-fogo, que previa a repatriação de todos os reféns, vivos ou mortos.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, definiu o retorno dos restos mortais de Ran como "uma conquista incrível" para Israel e seus soldados. "Prometi que traríamos todos para casa e trouxemos todos para casa", afirmou o líder, em declaração emocionada que ecoou por todo o país.
A Praça dos Reféns: Dois Anos de Mobilização
Conhecida como "Praça dos Reféns", a área em Tel Aviv tornou-se, desde os ataques de 7 de outubro de 2023, um ponto permanente de vigília e protesto. O relógio instalado ali consolidou-se como um dos principais símbolos da mobilização pela libertação dos sequestrados, funcionando como um lembrete constante da pressão exercida pela sociedade israelense sobre o governo para acelerar negociações e operações de resgate.
A família de Ran Gvili havia reforçado os apelos para que as negociações não avançassem até a devolução do seu corpo, um pedido que foi finalmente atendido. O encerramento da contagem marca não apenas o fim de uma espera angustiante, mas também o início de uma nova fase no conflito.
Avanço para a Segunda Fase do Cessar-Fogo
Há quase duas semanas, os Estados Unidos afirmaram que o cessar-fogo havia entrado na sua segunda etapa, que prevê o desarmamento do Hamas e a reconstrução de Gaza. No entanto, o grupo militante palestino rejeita entregar as armas sem a criação do Estado da Palestina — uma ideia recusada por Israel. Enquanto isso, proliferam-se as acusações sobre os termos do cessar-fogo por ambos os lados do conflito.
Nesta segunda-feira, as forças israelenses mataram a tiros um homem no bairro de Tuffah, na Cidade de Gaza, segundo o Hospital Shifa, que recebeu o corpo. Ele estava próximo à área onde os militares conduziam a operação de busca por Ran Gvili, evidenciando as tensões persistentes na região.
O Plano de "Desradicalização" e Reconstrução de Gaza
O plano elaborado pelos Estados Unidos estabelece que Gaza deverá ser uma zona "desradicalizada", ou seja, sem grupos radicais. Sob o documento da trégua, o território passará por reconstrução com apoio de um comitê composto por 15 palestinos qualificados e especialistas internacionais. No mesmo dia do anúncio da segunda fase, o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, informou que "chegou-se a um consenso sobre os membros" da comissão.
A supervisão será feita por um órgão internacional de transição, o "Conselho da Paz", que será presidido por Donald Trump, com outros membros e chefes de Estado. A iniciativa foi lançada na semana passada durante a participação do republicano no Fórum Econômico Internacional, em Davos, na Suíça.
Países que Aceitaram Participar do Conselho da Paz
Até o momento, diversos países já aceitaram participar do Conselho da Paz, incluindo:
- Arábia Saudita
- Argentina
- Armênia
- Azerbaijão
- Bahrein
- Belarus
- Catar
- Cazaquistão
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Hungria
- Indonésia
- Israel
- Jordânia
- Kosovo
- Kuwait
- Marrocos
- Paraguai
- Paquistão
- Turquia
- Uzbequistão
- Vietnã
O Brasil ainda não anunciou sua decisão sobre a participação no conselho, mantendo-se em uma posição de observação cautelosa diante dos desenvolvimentos.
Objetivos e Estrutura do Conselho da Paz
Segundo as explicações oficiais, "esse órgão estabelecerá a estrutura e administrará o financiamento para a reconstrução de Gaza até que a Autoridade Palestina conclua seu programa de reformas". O plano inclui a implementação de várias propostas, como o plano de paz do Presidente Trump em 2020 e a proposta saudita-francesa, com o objetivo de permitir que a Autoridade Palestina retome o controle de Gaza de forma segura e eficaz.
O conselho recorrerá aos melhores padrões internacionais para criar uma governança moderna e eficiente que sirva à população de Gaza e seja propícia à atração de investimentos. Será colocado em prática um plano de desenvolvimento para "reconstruir e energizar Gaza" através da convocação de um painel de especialistas que ajudaram a dar origem a algumas das prósperas cidades modernas do Oriente Médio.
Além disso, uma zona econômica especial será estabelecida com tarifas preferenciais e taxas de acesso a serem negociadas com os países participantes, visando estimular o crescimento econômico e a estabilidade na região.