Ilha de Kharg: Por que EUA e Israel poupam o coração petrolífero do Irã?
Por que EUA e Israel poupam a Ilha de Kharg, coração do petróleo iraniano?

Ilha de Kharg: O alvo estratégico poupado na guerra entre EUA, Israel e Irã

Uma imagem de satélite capturada em 25 de fevereiro de 2026 revela um terminal de petróleo na Ilha de Kharg, localizada na costa sudoeste do Irã, permanecendo intacto apesar do conflito. Entre mais de cinco mil ataques realizados por Estados Unidos e Israel ao território iraniano, este ponto crucial foi preservado nos primeiros treze dias de hostilidades.

Um pilar econômico intocável

A Ilha de Kharg, situada a apenas vinte e cinco quilômetros da costa iraniana, é responsável por impressionantes 90% das exportações de petróleo da República Islâmica. Com capacidade para carregar até sete milhões de barris diários, sua destruição ou inativação representaria um colapso econômico para o Irã por décadas, além de impactar significativamente o mercado global de petróleo.

Analistas especulam sobre as razões que mantêm esta pequena ilha no Golfo Pérsico a salvo de bombardeios. Um ataque direto interromperia imediatamente a maior parte das exportações de petróleo bruto do país, potencialmente desencadeando uma forte retaliação iraniana no Estreito de Ormuz ou contra infraestruturas energéticas regionais, conforme avaliação do banco americano JP Morgan.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Propostas arriscadas e implicações políticas

Uma das propostas em discussão na administração de Donald Trump seria tomar o controle da ilha e bloquear as receitas petrolíferas do regime iraniano. Jarrod Agen, assessor da Casa Branca e diretor do Conselho Nacional de Domínio Energético, afirmou à Fox News Business que o objetivo é "tirar essas enormes reservas de petróleo do Irã das mãos de terroristas".

Segundo Agen, essa medida eliminaria a preocupação dos EUA com possíveis tentativas iranianas de fechar o Estreito de Ormuz, por onde escoa um quinto do petróleo mundial. No entanto, a anexação da ilha é vista como uma operação extremamente arriscada, exigindo a presença de tropas terrestres suscetíveis a pesados contra-ataques.

Impacto econômico e estratégico

O Irã, terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), arrecadou aproximadamente 78 bilhões de dólares em exportações de petróleo e gás em 2024, apesar das severas sanções norte-americanas. A China é o principal destino dessa produção.

A Ilha de Kharg atua como um pilar fundamental da economia iraniana, recebendo petróleo via oleodutos de campos produtores como Ahvaz, Marun e Gachsaran. Como principal terminal petrolífero do país, também serve como fonte de receita para a Guarda Revolucionária, que sustenta militarmente o regime.

Com a proximidade das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, uma tentativa fracassada de capturar Kharg representaria uma ameaça política significativa para Donald Trump nas urnas. A preservação da ilha, portanto, reflete um cálculo complexo entre riscos militares, econômicos e eleitorais.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar