Conselho da Paz de Trump revela plano ambicioso para reconstrução da Faixa de Gaza
O Conselho da Paz estabelecido por Donald Trump apresentou nesta quinta-feira (19) um plano abrangente para a reconstrução da Faixa de Gaza, território palestino devastado por anos de conflito. O projeto, detalhado em Washington, prevê uma transformação radical da região, incluindo a construção de arranha-céus à beira-mar, desenvolvimento de ferrovias, portos, um aeroporto e a exploração de recursos de gás natural.
Investimento inicial e desafios financeiros
O conselho anunciou um investimento inicial de US$ 7 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 37 bilhões, destinado a iniciar a recuperação de Gaza após intensos bombardeios israelenses durante a guerra contra o grupo Hamas. No entanto, esse valor representa apenas 10% dos US$ 70 bilhões que a Organização das Nações Unidas estima serem necessários para reconstruir completamente o território ao longo das próximas décadas.
De acordo com a ONU, cerca de US$ 20 bilhões precisariam ser aplicados nos primeiros três anos para estabilizar a grave crise humanitária que afeta a população palestina. O plano apresentado revela que 85% dos prédios e construções em Gaza foram destruídos, gerando cerca de 55 milhões de toneladas de entulho – volume equivalente a 13 vezes o das pirâmides de Gizé, no Egito.
Fases do projeto de reconstrução
O projeto, que não especificou prazos ou custos detalhados para cada etapa, está dividido em três fases principais:
- Curto prazo: Remoção de escombros e munições não explodidas, restabelecimento das cadeias de suprimento e fornecimento de água, saneamento e energia.
- Médio prazo: Construção de habitação permanente, hospitais, clínicas, escolas e universidades.
- Longo prazo: Desenvolvimento de arranha-céus à beira-mar, infraestrutura de transporte avançada, exploração de recursos energéticos e urbanização moderna.
Participação internacional e compromissos financeiros
A primeira reunião do Conselho da Paz contou com líderes de 20 países que aderiram à iniciativa de Trump, incluindo Argentina, Egito e Turquia. O Brasil, convidado, ainda não respondeu, com o governo Lula expressando preocupações sobre o risco de o conselho esvaziar o papel da ONU.
Trump anunciou que os Estados Unidos contribuirão com US$ 10 bilhões para o conselho, sem detalhar o uso específico dos recursos. Outros países também se comprometeram com aportes financeiros:
- Emirados Árabes Unidos: US$ 1,2 bilhão
- Qatar: US$ 1 bilhão
- Arábia Saudita: US$ 1 bilhão
Além disso, várias nações ofereceram apoio em outras áreas:
- Indonésia: Envio de 8.000 soldados para formar uma força de segurança
- Cazaquistão: Contribuição financeira e fornecimento de trigo
- Bahrein: Infraestrutura para serviços digitais
- Uzbequistão: Reconstrução de escolas, creches e hospitais
- Egito: Treinamento de policiais palestinos
- Romênia: Construção de serviços de emergência e instituições educacionais
- Turquia: Contribuições nos setores de saúde, educação e treinamento policial
Detalhes do plano habitacional e visão imobiliária
Marc Rowan, empreendedor imobiliário americano indicado por Trump para o conselho, detalhou que inicialmente serão construídas 100 mil casas, com meta de longo prazo de 400 mil residências – número suficiente para abrigar toda a população da região. O custo total das construções habitacionais está estimado em US$ 30 bilhões, sem datas específicas anunciadas.
Rowan enfatizou o potencial da região, afirmando que "não há um problema financeiro, há um problema de paz". Ele avaliou que a costa de Gaza vale US$ 50 bilhões, as residências mais de US$ 30 bilhões e a infraestrutura US$ 30 bilhões, destacando o valor imobiliário do investimento.
Contexto histórico e controvérsias
A ideia de construir arranha-céus em Gaza foi apresentada anteriormente no Fórum Econômico de Davos em janeiro, com slides mostrando dezenas de prédios na costa mediterrânea. Trump já havia sugerido em fevereiro que a área deveria ser despovoada para reconstrução como um resort de luxo, similar a suas propriedades na Flórida e no Mediterrâneo, propondo que os EUA liderassem o esforço inclusive com envio de tropas.
O Conselho da Paz materializa essa visão, com um comitê tecnocrático palestino supervisionado por Trump governando Gaza. Além dos projetos luxuosos, o plano inclui implementação de internet de alta velocidade até julho deste ano para permitir pagamentos digitais e retomada do comércio.
Formação de força policial em Gaza
O comitê palestino apoiado pelos EUA abriu inscrições para uma força policial em Gaza, destinada a substituir o controle armado do Hamas. Cerca de 2.000 palestinos se inscreveram nas primeiras horas após o anúncio. O recrutamento está aberto a homens e mulheres entre 18 e 35 anos, residentes em Gaza, sem antecedentes criminais e em boa forma física.
O Comitê Nacional para a Administração de Gaza divulgou em suas redes sociais que o processo "está aberto a homens e mulheres qualificados que desejam servir na força policial", disponibilizando um site para candidaturas.