ONU vota autorização de uso da força no Estreito de Ormuz em meio à guerra Irã-Israel-EUA
ONU vota uso da força no Estreito de Ormuz em conflito Irã-Israel-EUA

Conselho de Segurança da ONU decide sobre uso da força no estratégico Estreito de Ormuz

O Conselho de Segurança das Nações Unidas realiza nesta terça-feira (7) uma votação histórica sobre uma resolução que autoriza o uso da força no Estreito de Ormuz, via marítima bloqueada pelo Irã no contexto do conflito com Israel e Estados Unidos. A medida representa o primeiro aval formal da ONU ao emprego de força militar neste conflito que tensiona o Oriente Médio.

Conteúdo da resolução e oposição internacional

A resolução em análise estabelece que os países podem utilizar "todos os meios defensivos necessários" para garantir a proteção da navegação comercial no estratégico estreito. O texto final, que passou por várias revisões e adiamentos, condena especificamente os ataques iranianos contra navios e "encoraja fortemente os Estados envolvidos" a coordenarem esforços defensivos proporcionais para assegurar a segurança marítima.

No entanto, a proposta enfrenta significativa resistência de três membros permanentes do Conselho com poder de veto: China, Rússia e França. A China, principal compradora de petróleo iraniano, já manifestou oposição a qualquer autorização do uso da força, mantendo sua postura pragmaticamente alinhada com Teerã. Rússia e França também indicaram rejeição à medida, criando um cenário complexo para sua aprovação.

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Negociações diplomáticas e concessões

Diplomatas envolvidos nas negociações realizaram múltiplos adiamentos da votação, originalmente programada para sexta-feira e depois remarcada para sábado (4), na tentativa de alcançar um acordo mais amplo. Como parte das manobras para obter apoio, o Bahrein – país proponente da resolução – retirou do texto uma referência à aplicação obrigatória da medida.

A versão final autoriza o uso da força "por um período de pelo menos seis meses e até que o Conselho decida de outra forma". O documento também exige que o Irã "cesse imediatamente todo ataque contra navios" que transitam pelo estreito e qualquer tentativa de impedir a livre navegação, reservando ao Conselho a possibilidade de considerar medidas adicionais contra violadores.

Contexto bélico e escalada de tensões

A votação ocorre em um dia decisivo para o conflito no Oriente Médio, marcado por intensos ataques militares poucas horas antes do término do prazo estabelecido pelo presidente norte-americano Donald Trump para que o Irã reabrisse completamente o Estreito de Ormuz. Trump renovou seu ultimato através de publicação em sua rede social Truth Social, advertindo que "uma civilização inteira morrerá esta noite" caso o regime iraniano não atendesse à exigência.

Os Estados Unidos já realizaram ataques à estratégica ilha de Kharg, responsável pelo armazenamento de aproximadamente 90% de todo o petróleo produzido no Irã, conforme confirmado pelo vice-presidente J.D. Vance. Simultaneamente, Israel anunciou "amplos ataques" ao redor do território iraniano, atingindo infraestruturas críticas como pontes, trens, aeroportos e edifícios, incluindo uma ponte em Qom e uma petroquímica em Shihaz.

Resposta iraniana e ameaças regionais

O Irã manteve postura desafiante, convocando a população para formar escudos humanos ao redor de usinas e declarando o fim da "época de boa vizinhança" com países do Golfo. Autoridades iranianas afirmaram à agência Reuters que o país não reabrirá Ormuz em troca de "promessas vazias" e ameaçaram fechar também a via marítima de Bab el-Mandeb caso a situação saia do controle.

Explosões em Teerã resultaram em nove mortes segundo a mídia local, enquanto Israel emitiu alertas para que iranianos evitassem viagens de trem devido aos ataques às ferrovias. A fonte iraniana à Reuters ainda advertiu que deixaria "todo o Oriente Médio no escuro" se os Estados Unidos atacassem as usinas de energia do país, evidenciando o potencial de escalada catastrófica do conflito.

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