Protesto em Milão reúne centenas contra presença de agentes do ICE dos EUA durante Olimpíadas
Milão protesta contra agentes do ICE dos EUA nas Olimpíadas

Protesto em Milão reúne centenas contra presença de agentes do ICE dos EUA durante Olimpíadas

Centenas de manifestantes se reuniram neste sábado, dia 31 de janeiro, na cidade de Milão, na Itália, para protestar contra a presença de agentes do ICE, a Agência Federal de Imigração dos Estados Unidos, durante os Jogos Olímpicos de Inverno, que estão previstos para começar em 6 de fevereiro. A mobilização ocorreu na Piazza XXV Aprile, uma praça que homenageia a data da libertação da Itália do fascismo nazista em 1945, simbolizando uma forte rejeição a políticas consideradas opressivas.

Indignação com a situação americana e críticas ao fascismo

Os manifestantes expressaram não apenas preocupação com a presença dos agentes, mas também uma profunda indignação com o que muitos descreveram como uma crescente onda de fascismo nos Estados Unidos. Cartazes exibiam mensagens como "Sem ICE em Milão", "ICE = Gestapo" e "Nunca mais significa nunca mais para qualquer pessoa", refletindo temores sobre violações de direitos humanos. Uma faixa criativa fazia um trocadilho com a palavra "gelo" (ice, em inglês) e uma bebida popular italiana: "ICE só no Spritz", demonstrando o tom crítico e irônico do protesto.

Participação de organizações políticas e sindicais

O protesto atraiu uma diversidade de grupos, incluindo membros do Partido Democrático (de esquerda), da confederação sindical CGIL e da ANPI, organizações dedicadas a preservar a memória da resistência partidária italiana durante a Segunda Guerra Mundial. A presença dessas entidades reforçou o caráter histórico e político do evento, ligando a luta atual a tradições antifascistas do passado.

Repercussões políticas e declarações oficiais

A notícia do envio de agentes do ICE provocou uma repercussão negativa significativa para o governo da Itália. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, declarou publicamente que os agentes não são bem-vindos na cidade. Além disso, o Ministro do Interior, Matteo Piantedosi, foi convocado ao Parlamento italiano para depor sobre o envio nesta semana, indicando a seriedade do debate político em torno do assunto.

Detalhes sobre a unidade do ICE envolvida

É importante esclarecer que os agentes do ICE que serão enviados a Milão pertencem à Homeland Security Investigations (HSI), uma unidade focada em crimes transfronteiriços, e não ao braço conhecido como Enforcement and Removal Operations (ERO), que está na linha de frente da repressão à imigração nos Estados Unidos. A HSI frequentemente envia seus agentes para eventos internacionais, como as Olimpíadas, para auxiliar em questões de segurança, sem atuar diretamente nas ruas. No entanto, os manifestantes, como Silvana Grassi e Paolo Bortoletto, argumentaram que mesmo essa distinção não justifica a presença, afirmando: "Não os queremos em nosso país. Somos um país pacífico. Não queremos fascistas. São as ideias deles que nos incomodam."

Em resumo, o protesto em Milão destacou tensões internacionais sobre imigração e direitos humanos, com participantes usando o evento olímpico como palco para criticar políticas americanas e reafirmar valores antifascistas.