EUA e Israel desencadeiam maior operação militar no Oriente Médio em duas décadas
O ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel contra o Irã marca a maior ação militar na região desde a invasão do Iraque, há vinte anos. Esta ofensiva sem precedentes mobilizou um impressionante poder de fogo, com os Estados Unidos posicionando pelo menos dez porta-aviões e navios de guerra no Mar da Arábia e no Golfo Pérsico, incluindo duas embarcações de combate a poucos quilômetros da costa iraniana.
Mobilização naval e aérea sem precedentes
Além disso, o Pentágono enviou destróieres ao Mediterrâneo, próximo a Israel, e destacou para a costa israelense o maior porta-aviões americano, o USS Gerald Ford. Israel, por sua vez, conta com o apoio de cerca de 300 aviões de ataque e uma aeronáutica com vasta experiência regional, que já conseguiu atingir alvos militares em diversas cidades iranianas.
Os ataques foram relatados em todo o território iraniano, enquanto o Irã retaliou rapidamente contra pelo menos quatro bases americanas na região e lançou ofensivas contra Israel. A retaliação seguiu o manual previsto, com ondas sucessivas de drones e mísseis balísticos, embora a eficácia real desses ataques ainda esteja sob avaliação.
Confronto assimétrico e limitações iranianas
O professor de Relações Internacionais Kían Taibársh, da Universidade de Columbia, explica que se trata de um confronto assimétrico. O Irã já utilizou pelo menos metade dos três mil mísseis que possuía em um embate com Israel em junho do ano passado, o que, segundo ele, significa que o espaço aéreo iraniano está praticamente livre para aviões americanos e israelenses.
"O Irã não tem uma força aérea moderna, não tem uma marinha moderna e não tem um exército moderno", afirmou o professor. Por isso, na avaliação dele, o conflito deve se estender por alguns dias ou semanas, mas não teria fôlego para uma longa duração.
Fatores estratégicos e riscos políticos
Apesar de suas limitações militares, o Irã mantém um dos exércitos mais poderosos da região, um programa nuclear que preocupa o Ocidente e uma geografia privilegiada, controlando o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo.
Os ataques devem continuar predominantemente por ar e mar, pois o governo dos Estados Unidos evita combates por terra que possam ameaçar a vida de soldados americanos. Este é um risco particularmente sensível em um ano decisivo para a política interna dos Estados Unidos.
O professor de Estudos Islâmicos da American University, Akbar Ahmed, destacou: "Os americanos não querem que seus militares estejam vulneráveis a ataques e possivelmente perdendo suas vidas. Mas guerras são sempre muito perigosas de se prever".
Este conflito redefine as dinâmicas de poder no Oriente Médio, com implicações globais para a segurança energética e a estabilidade regional.



