Líder Supremo do Irã está inconsciente e incapaz de governar, revelam serviços secretos
Líder do Irã inconsciente e incapaz de governar, dizem EUA e Israel

Líder Supremo do Irã está inconsciente e incapaz de tomar decisões, revelam serviços de inteligência

O novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, encontra-se em estado de inconsciência e gravemente doente, sendo incapaz de tomar qualquer decisão governamental, de acordo com informações de inteligência dos Estados Unidos e de Israel divulgadas pelo jornal britânico The Times. O memorando diplomático, compartilhado com aliados do Golfo, sugere que Mojtaba está sendo tratado por uma condição médica considerada "grave" na cidade sagrada de Qom, levantando sérias questões sobre a estabilidade da liderança iraniana em um momento de tensões extremas na região.

Suspeitas de ferimentos no ataque que matou seu pai

Mojtaba Khamenei não foi visto publicamente desde o ataque aéreo conjunto americano-israelense que vitimou seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, desencadeando um conflito aberto no Oriente Médio. Suspeita-se que o novo líder tenha sido ferido durante esse mesmo ataque, o que explicaria sua ausência prolongada e a gravidade de sua condição de saúde. Em sua primeira declaração oficial após ser eleito, quando prometeu vingança contra Estados Unidos e Israel, Mojtaba não apareceu em vídeo - a mensagem foi lida por um apresentador da televisão estatal iraniana.

"Mojtaba Khamenei está sendo tratado em Qom com uma condição grave, incapaz de estar envolvido em qualquer tomada de decisão pelo regime", afirma o memorando baseado na inteligência compartilhada entre Washington e Tel Aviv. As agências de inteligência dos dois países já monitoravam há algum tempo o paradeiro do líder iraniano, que sucedeu seu pai em meio a um cenário de guerra declarada.

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Declarações contraditórias e ameaças em escalada

Enquanto as informações sobre o estado de saúde de Mojtaba vazavam, o presidente americano Donald Trump intensificou suas ameaças contra o Irã, prometendo descer "um inferno" sobre o país com bombardeios a infraestruturas críticas como usinas elétricas e pontes. Nesta terça-feira, Trump dobrou a aposta ao declarar que "uma civilização inteira morrerá esta noite" se o ultimato americano for ignorado pelo regime iraniano.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou na semana passada que Mojtaba estava "bem", mas essa declaração contrasta fortemente com as avaliações dos serviços de inteligência ocidentais. Especula-se também que a ausência de mensagens em vídeo e aparições presenciais possa estar relacionada a questões de segurança, além do evidente problema de saúde.

Secretário de Defesa americano sugere desfiguração

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, foi ainda mais direto em suas declarações, afirmando que Khamenei está "provavelmente desfigurado" em decorrência dos ferimentos sofridos no ataque. "Sabemos que o novo, o chamado 'não tão supremo', líder está ferido e provavelmente desfigurado. Ele divulgou uma declaração ontem, uma declaração fraca, na verdade - mas não havia áudio nem vídeo. Foi uma declaração escrita. Acho que vocês sabem o porquê", declarou Hegseth em entrevista coletiva.

O próprio presidente Trump já questionou publicamente se o aiatolá de 56 anos estaria vivo. "Não sei nem se ele está vivo. Até agora, ninguém conseguiu mostrá-lo", afirmou o mandatário americano, embora tenha reconhecido que alegações sobre sua morte poderiam ser consideradas "boato" até que houvesse confirmação definitiva.

Perfil do controverso sucessor

Mojtaba Khamenei, nascido em 8 de setembro de 1969 em Mexede, no leste do Irã, é um dos seis filhos de Ali Khamenei e o único com uma posição pública significativa, embora nunca tenha ocupado um cargo oficial eleito. Reconhecível por sua barba grisalha e turbante negro - símbolo dos seyed, descendentes do profeta Maomé -, Mojtaba atuava nos bastidores do poder iraniano como figura importante do núcleo decisório.

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Em 2019, o Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções a Mojtaba Khamenei, justificando que ele "representava oficialmente o líder supremo, embora nunca tenha sido eleito nem nomeado para um cargo governamental além de suas funções no escritório do pai". Segundo o departamento americano, Ali Khamenei "delegou parte de suas responsabilidades de liderança ao filho", que trabalhou "em estreita colaboração" com unidades da Guarda Revolucionária para avançar as "ambições regionais desestabilizadoras de seu pai e seus objetivos repressivos internos".

Considerado próximo dos conservadores radicais, especialmente por seus vínculos com a Guarda Revolucionária (o exército ideológico da república islâmica), Mojtaba participou de uma unidade de combate durante a guerra entre Iraque e Irã (1980-1988). Opositores o responsabilizam por desempenhar papel crucial na violenta repressão aos protestos que seguiram a reeleição do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad em 2009.

Uma investigação da Bloomberg revelou ainda que Mojtaba Khamenei enriqueceu consideravelmente ao tecer uma extensa rede de empresas de fachada no exterior. No campo religioso, estudou teologia na cidade santa de Qom, onde também lecionou, ostentando o título de hojatoleslam - nível intermediário na hierarquia clerical, inferior ao de aiatolá mantido por seu pai e por Ruhollah Khomeini, líder da revolução iraniana de 1979.

Crise de liderança em momento decisivo

A incapacidade de Mojtaba Khamenei de exercer suas funções como Líder Supremo ocorre em um momento crítico para o Irã, que enfrenta não apenas ameaças externas mas também uma crise interna de governança. A ausência de um comando claro no topo do regime pode ter implicações profundas para o desenrolar do conflito no Oriente Médio e para a estabilidade regional como um todo.

Enquanto os serviços de inteligência ocidentais monitoram de perto a situação médica do líder iraniano, as tensões entre Teerã e Washington continuam a escalar, com o presidente Trump mantendo sua retórica belicista e o regime iraniano tentando projetar uma imagem de normalidade que contrasta radicalmente com as informações vazadas pelo The Times e confirmadas por fontes de inteligência.