Israel reabre passagem de Rafah após quase dois anos fechada
Israel reabre passagem de Rafah após dois anos fechada

O governo de Israel anunciou a reabertura da passagem de Rafah nesta segunda-feira (2), marcando o fim de um período de quase dois anos de fechamento total. Esta rota, que é a principal via de entrada e saída da Faixa de Gaza, havia sido bloqueada desde maio de 2024, quando Israel assumiu o controle direto da área.

Primeiros movimentos na fronteira

Logo nas primeiras horas da manhã, os primeiros palestinos começaram a embarcar rumo ao Egito. Um grupo, partindo da cidade de Khan Younis, seguiu dentro de uma van, acompanhado por veículos das Nações Unidas para garantir segurança e supervisão.

A passagem de Rafah está localizada no extremo sul da Faixa de Gaza, conectando a cidade palestina de Rafah ao norte da península do Sinai, no território egípcio. Durante os primeiros meses do conflito, mais de 100 mil palestinos utilizaram esta rota para deixar Gaza, evidenciando sua importância crítica para o fluxo de pessoas.

Reabertura parcial e prioridades médicas

A reabertura, no entanto, é apenas parcial e temporária, com foco imediato em casos de urgência médica. Israel estabeleceu que, diariamente, serão liberadas a saída de 50 pacientes acompanhados por seus familiares, enquanto outros 50 poderão retornar ao território palestino.

Esse fluxo limitado contrasta drasticamente com a enorme demanda existente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 20 mil pacientes estão cadastrados em uma lista de espera, aguardando autorização para viagens médicas essenciais.

Supervisão internacional e reações

A movimentação na fronteira está sendo monitorada de perto por observadores da União Europeia, que garantem o cumprimento dos protocolos estabelecidos. Ali Shaat, palestino apoiado pelos Estados Unidos para comandar o comitê de transição em Gaza, descreveu a reabertura como uma janela de esperança.

Ele enfatizou que este momento marca o início de um longo processo para reconectar famílias e comunidades que foram separadas pelo prolongado fechamento. Testemunhos como o de Faten, que está no Egito longe de seus três filhos em Gaza, refletem o cansaço e a esperança na reconstrução do território.

Impacto humanitário e perspectivas futuras

A reabertura da passagem de Rafah representa um alívio significativo para a população de Gaza, que enfrenta sérias restrições de mobilidade há quase dois anos. Embora o acesso ainda seja restrito, especialistas apontam que este passo pode facilitar o envio de ajuda humanitária e o tratamento médico de casos críticos.

Contudo, permanecem incertezas sobre a continuidade e expansão desta medida, já que a situação geopolítica na região continua volátil. A comunidade internacional acompanha atentamente os desenvolvimentos, na esperança de que esta abertura parcial possa evoluir para uma normalização mais ampla do trânsito na fronteira.