Israel confirma planos de ocupação no sul do Líbano após guerra
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou nesta terça-feira, 31 de março de 2026, que as forças militares de seu país ocuparão partes do sul do Líbano assim que concluir a guerra contra o Hezbollah, milícia xiita pró-Irã. Esta é a segunda vez que autoridades do governo de Benjamin Netanyahu mencionam uma ocupação pós-conflito, intensificando as tensões na região.
Zona de segurança até o rio Litani
Em vídeo divulgado por seu gabinete, Katz afirmou: "Ao final da operação, as IDF (Forças de Defesa de Israel) se estabelecerão em uma zona de segurança dentro do Líbano, em uma linha defensiva contra os mísseis antitanque, e manterão o controle de segurança de toda a região até o rio Litani". O rio Litani corre aproximadamente 30 quilômetros ao norte da fronteira entre os dois países, representando uma expansão significativa do controle territorial israelense.
O ministro acrescentou que centenas de milhares de libaneses deslocados serão impedidos de retornar até que a segurança no norte de Israel esteja completamente garantida. Ele detalhou ainda que "todas as casas das localidades adjacentes à fronteira no Líbano serão demolidas seguindo o modelo de Rafah e Beit Hanoun, em Gaza", indicando uma política de demolições em massa que afetaria profundamente a infraestrutura residencial da região.
Impacto humanitário devastador
As ordens de retirada emitidas pelo Exército israelense para a população libanesa já abrangem cerca de 15% do território nacional. Segundo o governo libanês, mais de 1,2 milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas devido aos combates, representando aproximadamente 20% da população total do país. Este contingente inclui cerca de 370 mil crianças, criando uma crise humanitária de proporções alarmantes.
Desde o início da ofensiva, mais de 1.200 libaneses perderam a vida, incluindo 121 crianças, de acordo com dados do Unicef. A situação se agrava com o ataque israelense à Ponte Qasmiyeh, importante passagem que liga o sul libanês ao resto do país, descrito pelo presidente Josef Aoun como um "prelúdio para uma invasão terrestre".
Posicionamento político e críticas internas
Anteriormente, o ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, já havia defendido que seu país deveria ampliar sua fronteira com o Líbano até o rio Litani. Em entrevista a um programa de rádio israelense, Smotrich afirmou: "(A campanha militar no Líbano) precisa terminar com uma realidade totalmente diferente, tanto com a decisão do Hezbollah, mas também com a mudança das fronteiras de Israel".
No Líbano, o presidente Josef Aoun vem aumentando o tom das críticas contra o Hezbollah, acusando a milícia de arrastar o país para uma guerra que seu povo nunca quis. Seus pedidos por negociações diretas com o governo israelense foram ignorados, enquanto seu governo expulsou o embaixador do Irã, taxando-o de persona non grata. As autoridades em Beirute acusam a Guarda Revolucionária Iraniana de dirigir as operações da milícia xiita contra Israel.
O conflito teve início quando o Líbano foi arrastado para a guerra que abala o Oriente Médio há mais de quatro semanas, tornando-se uma de suas múltiplas frentes após o Hezbollah abrir fogo contra Israel em 2 de março, numa retaliação à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. Muitos libaneses temem que as forças israelenses estejam tentando separar a região sul do restante do país antes de uma invasão em larga escala, o que significaria que os milhões de deslocados não teriam para onde retornar.



