Netanyahu anuncia expansão militar no sul do Líbano para conter ameaças do Hezbollah
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, que o Exército israelense expandirá significativamente a "zona tampão" no sul do Líbano. Esta medida tem como objetivo principal afastar as ameaças representadas pelo Hezbollah, milícia libanesa aliada ao Irã, e estabelecer uma área de segurança mais ampla ao longo da fronteira norte de Israel.
Declaração reforça ameaças de ocupação territorial
A fala de Netanyahu soma-se a uma série de declarações de outras autoridades israelenses que têm ameaçado abertamente ocupar território libanês em meio ao conflito que já dura mais de quatro semanas. "Criamos uma verdadeira zona de segurança que impede qualquer infiltração em direção à Galileia e à fronteira norte", afirmou o premiê em vídeo divulgado nesta quarta-feira. "Estamos expandindo essa zona para afastar a ameaça dos mísseis antitanque e estabelecer uma zona de segurança mais ampla."
O conflito foi intensificado após o Hezbollah abrir fogo contra Israel em retaliação à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, arrastando o Líbano para o centro das tensões que abalam o Oriente Médio. Segundo dados do Ministério da Saúde libanês, os bombardeios israelenses já causaram a morte de pelo menos 1.039 pessoas, incluindo 79 mulheres e 118 crianças, desde o início das hostilidades.
Planos de avanço até o rio Litani ganham força
As declarações de Netanyahu ocorrem apenas um dia após o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmar que o Exército do país assumirá o controle do sul do Líbano, avançando até o rio Litani - que fica aproximadamente 30 quilômetros da fronteira entre as nações vizinhas. Durante visita a um centro de comando militar, Katz detalhou: "Todas as cinco pontes sobre o Litani, usadas pelo Hezbollah para a passagem de terroristas e armas, foram destruídas, e as Forças de Defesa de Israel controlarão o restante das pontes e a zona de segurança até o Litani."
Anteriormente, o próprio ministro da Defesa já havia alertado que o Exército israelense poderia "tomar território" caso as autoridades libanesas não consigam impedir os ataques do Hezbollah. Na segunda-feira, 23 de março, o ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, defendeu publicamente que seu país deveria ampliar sua fronteira com o Líbano até o rio Litani.
Esperanças de paz diminuem com escalada de tensões
Na terça-feira, Netanyahu já havia prometido continuar atacando tanto o Líbano quanto o Irã, após um míssil iraniano atingir o centro de Tel Aviv e deixar seis pessoas levemente feridas. Estas ameaças contínuas, combinadas com a potencial ocupação de território libanês, reduziram drasticamente as esperanças de uma redução das hostilidades na região.
Este cenário pessimista persiste mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter enfatizado recentemente as chances de um acordo para encerrar o conflito. "Ainda há mais por vir", alertou Netanyahu em sua declaração mais recente, sugerindo que a escalada militar pode continuar nos próximos dias e semanas.
A expansão da zona-tampão e as ameaças de ocupação até o rio Litani representam uma significativa intensificação do conflito entre Israel e o Hezbollah, transformando o sul do Líbano em uma das múltiplas frentes da guerra que continua a abalar a estabilidade do Oriente Médio.



